E QUANDO O PARTO NÃO ACONTECE COMO O PLANEJADO?

SENTA QUE LÁ VEM INFORMAÇÃO

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Na coluna do mês, a psicóloga Eliane Camilo vai falar sobre PARTO, e sobre todas as frustrações que surgem quando não sai exatamente como a gestante planejou. OBVIAMENTE ME IDENTIFICO rs. Quem acompanha aqui sabe que tive cesárea da Marília, bem tranquila, aceitei tranquila a indicação da médica mas, da Micaela eu lutei e batalhei por um parto normal, que não aconteceu.

Isso fundiu minha cabeça,  nem me fez curtir o final de gestação dela como deveria. Para ler ou reler meus relatos de parto, clique em PARTO DA MARÍLIA E PARTO MICAELA e a visão do meu marido, do PAI, no nascimento de um filho: RELATO DE PARTO FEITO POR UM PAI.

A verdade é que a gente se cobra tanto, e o assunto parto é um verdadeiro parto rs, de tantas ofensas de ambos os lados que por vezes as vezes esquece que o principal MESMO é você estar bem, e bebê também.

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Estou grávida, e agora?

Parte I – O parto não aconteceu como planejado.

Um belo dia você descobre que está grávida, e não importa o que levou a tal consequência, suas pernas bambeiam, o coração acelera, o chão parece se abrir em baixo dos seus pés e agora é fato, você está gerando uma vida!

Não importa se você estava tentando há anos, se foi de surpresa, se não queria, se é a segunda ou terceira gravidez, a mistura de sentimentos se faz presente se não em todas, na maioria das mulheres!

Pois bem, nessa hora a mente vai longe, imaginando o desenvolvimento daquele ser, a espera pela data do parto, os questionamentos sobre amamentação, entre outras mil coisas que você irá se questionar neste primeiro momento!

E aí cara leitora, o que trago neste texto, não é necessariamente uma análise técnica, entretanto, sem deixar de lado a visão profissional, o que procuro aqui é acolher, acalmar e, quem sabe, diminuir um pouco àqueles milhares de sentimentos de culpa que surgiram em seu coração desde o momento em que você se deparou com aquele resultado positivo do Beta HCG.

Vivemos em uma sociedade que ao meu ponto de vista perdeu ao longo dos anos o senso do viver em comunidade, o que levou a isso pode ter sido o super povoamento, a corrida contra o tempo que hoje é sinônimo de dinheiro, a inserção da grande maioria das mulheres no mercado de trabalho, não posso afirmar ao certo o que aconteceu, mas ao comparar nossa atualidade ao tempo das nossas avós e bisavós me faz ter a impressão que o senso de comunidade se fazia mais presente naquela época, as mulheres quando pariam eram amparadas pelas outras mulheres da família e/ou comunidade e ouvir os relatos de pessoas que viveram a maternidade há algumas décadas atrás, me faz supor que as tarefas maternas eram executadas com mais naturalidade, leveza ou de certa maneira mais instintivamente.

Partos naturais eram a maioria, claro que os recursos eram escassos e isso fazia com que se perdessem vidas diante de complicações, amamentar não parecia ser algo tão complexo e a vida seguia seu fluxo.

Não estou aqui para dizer qual tipo de parto é o melhor, tão pouco como se deve acontecer a amamentação, mas o que me intrigou quando tive minha filha e me intriga até hoje é perceber que esses dois pontos, nos dias atuais são alvos de muitos julgamentos, muitas críticas e de grandes discussões.

Deixando de lado neste momento a espera pelo nascimento, a expectativa do sexo do bebê, preparativos para receber o bebê, chás de revelação, chás de bebê e focando apenas em parto e amamentação, temos dois assuntos que podem gerar muitas dúvidas, inseguranças e também podem trazer consigo muitas frustrações.

Vamos dividir esses dois temas e nesta coluna vamos falar sobre ele: o parto

Você juntamente com seu médico avaliaram as suas condições de saúde e a do bebê e optam pelo tipo de parto ideal! Até aqui estamos confortáveis por ter um planejamento a longo prazo, só que apesar de muitos médicos após esse “planejamento” orientarem que isso se trata de um plano, que quem escolhe a forma como irá nascer é o bebê, nós mães nos apegamos ao plano como algo certo, e por mais que venhamos a verbalizar que isso seja um plano e não seja algo certo e definitivo, caímos na armadilha do apego ao plano inicial e estamos fadadas à primeira grande frustração da maternidade: o parto não saiu conforme o planejado.

Se você cara amiga e leitora, teve o parto que planejou, que legal, fico de fato muito feliz por você não ter vivenciado essa frustração!

Se você, como eu, teve essa primeira frustração continue a leitura, pois você não está sozinha!

Vamos a algumas possibilidades:

* Você e seu médico idealizaram um parto natural, tudo de acordo na gestação, e chega 36 semanas e seu bebê não deu o menor sinal de que a hora está chegando, 37, 38, 39 semanas e nada do colo do útero ficar fino, nada do bebê encaixar, nada de perder o tampão e tão pouco ter dilatação, nas monitorizações fetais um caimento nos movimentos do bebê por falta de espaço, aumento do risco de cair batimentos cardíacos do bebê o que lhe resta? Cesárea, afinal que mãe quer colocar seu bebê em risco?

* Trabalho de parto de horas, você idealizando o parto natural, humanizado ou hospitalar, vai, vai, vai, está quase lá e não vai e ali em meio a tanto esforço e dedicação é preciso ser feita uma cesárea de emergência ou eletiva por esgotamento físico e/ou emocional ou ainda impossibilidade biológica de continuar um parto natural;

* Gestação correndo super bem, quando de repente, pressão alta, diabetes, outras complicações de saúde já eliminam a possibilidade de parto natural, agora resta se preparar emocionalmente para uma cesárea.

Ok! Você se tornou mãe e não foi como o planejado, apesar de estar exalando ocitocina pelos poros de tanto amor por aquele bebezinho tão frágil e tão lindo, lá no seu íntimo, dói, não a dor do corte e sim a dor da frustração, aquela dor que só você percebe e sente e é muito forte, você se sente incapaz, duvida da sua capacidade de maternar, afinal não conseguiu ao menos parir como idealizou.

E falar sobre isso é assinar um atestado de fracasso, pois neste mundo da maternidade somos julgadas por todos os lados, saímos da maternidade pensando em como justificar a nossa “falha”. Falha?

Não minha cara amiga leitora, nós não falhamos, não erramos, não somos menos capazes e temos o mais puro sentimento de amor pelo nosso bebê. E lembre-se cuidar e educar vai muito além de parir!

E se maternar vai além do processo de parto, porque sentimos frustração?

A frustração surge em decorrência do não acontecimento de algo que desejamos ou idealizamos. E se frustrar faz parte do desenvolvimento humano, desde muito pequenas as crianças ouvem de seus pais: nem tudo o que você quer irá acontecer exatamente como desejado. Existem coisas que fogem do nosso controle ou comando é só nos resta lidar com isso da melhor maneira possível, tentando novamente ou aceitando a condição quando imutável.

Com o tempo a dor dessa frustração diminui, mas ficará registrada na memória e algumas vezes, principalmente nos primeiros meses ou até anos, as lágrimas podem teimar em rolar, mas lhe digo uma coisa do fundo do meu coração, não se apegue a um tipo de parto, quanto menos expectativas criarmos, menos frustrações iremos vivenciar.

Por mais que o momento do nascimento pareça ser o ápice da maternidade, não existe como reconstruí-lo ou refazê-lo, foque sua atenção em ser a melhor mãe que você puder ser para seu filho, o importante é que mesmo que tenha fugido ao plano inicial, seu bebê está bem e com você, pois o parto é uma pequena parte da imensidão que é maternar!

Eliane Camilo é Psicóloga Analista do Comportamento, atua na área de atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos, é mãe da pequena Sophia de 3 anos, casada há 16 anos e mamis de dois filhos de quatro patasa Docinho de 14 anos e o Flock de 9 anos!

 

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