OLIMPÍADAS MATERNAS

olimpiadas da mamãe

Já que estamos em época de Olímpiadas, vou falar sobre o esporte preferido da maternidade, competir e julgar umas as outras. É um tal de 100 metros rasos querendo ostentar a medalha de ouro de mãe do ano, que nem te conto.

E começo este texto com um julgamento que eu fazia até pouco tempo atrás.

Nem entrando no mérito sobre ser contra ou a favor do aborto, eu, antigamente, tinha mania de dizer, de boca cheia sabe: “eu nunca abortaria” com ênfase no NUNCA. Daí esses tempos me peguei pensando: “e se eu fosse estuprada” “e se, e se”, muitos e se sabe. Como eu posso julgar quem fez? Quem sou eu na fila do pão mermo? Ah sim, a louca que às vezes surta e dá uns berros pela casa e com as filhas. Na verdade, a resposta certa deveria ser: “acho que não faria um aborto, mas não sei, nunca vivenciei tal situação que fulana viveu”. Ta aí o ponto.

Viver. Vivenciar. Atualmente tem especialista para tudo, especialmente na maternidade. Pessoal acha que basta ser mãe e catapluft, ta sabendo tudo, ta sabendo legal, e vamo simbora julgar a maternagem alheia. Às vezes tenho a sensação que essas mãe perfeita, de filhos perfeitos vão em dezembro numa conferência de mães do ano, e recebem medalha e sobem num pódio, porque né possível. Maternidade virou competição.

Na internet então, vixe Maria. O que tem de mães perfeitas não ta na história. E eu mesma me incluo nessa. Certa vez, anos atrás, julguei, junto com outras mães politicamente corretas num grupo de alimentação, uma mãe que ofereceu chocolate ao bebê dela de seis meses. Daí Marília fez 1 aninho e quem deu chocolate pra ela? A vó, tio, pai? Não, foi eu mesma! Olha só. Que ironia né.

Falta EMPATIA entre mulheres. Rede de apoio. Falta vivenciar o lado do outro.

Talvez por trás de uma mãe que ofereça papinha industrializada, esteja uma mãe de bebê que não come nem por decreto e no desespero faça isso. Por trás de uma mãe que NÃO oferece nada de açúcar ao filho de 2 anos esteja uma mãe firme e convicta nas suas escolhas, bem amparada por informações e não uma louca sem coração e cheia de modinhas. Talvez por trás de uma mãe que não conseguiu amamentar esteja uma luta e dor física e zero apoio ao invés de zero paciência. Por trás de uma mãe que fez a SUA escolha de parto esteja a convicção, escolha e corpo dela, não o seu.

No final das contas, que diferença fará no futuro se seu bebê andou com 10 meses e o da vizinha com 1 ano e meio? Quando uma mãe, fragilizada e buscando ajuda escreve, por exemplo, num grupo materno que seu bebê de 1 ano e pouco mal fala, ela quer apoio, informação e não: “nossa, o meu já fala tudo, até canta”. Falta empatia minha gente. A mãe que julga, aponta e se engrandece pensa que está cheia de medalhas, mas na verdade não ganha é nada, por que adivinhe? Especial em maternidade, mas também em tudo na vida, quando você se sente maior e melhor que o outro, e põe uma verdade e regra como absoluta, você já se torna absolutamente fora de si.

Irônico é uma mãe viver reclamando e dizendo a famosa frase aos parentes, amigos, pitaqueiros e até aos próprios filhos: “a mãe aqui sou eu”, “me respeita porque sou sua mãe” mas, vejam bem, não respeita a maternidade alheia nem as escolhas de outras mães.

A maternidade por si já é difícil, cada qual sabe onde seu sapato aperta, e se ao invés de focarmos em ser a melhor e termos os melhores filhos, investíssemos em oferecer o nosso melhor, teríamos acima de tudo, filhos felizes. A medalha de ouro na corrida materna? Essa eu nem entro na disputa. Enquanto as outras correm, eu prefiro observar de longe, aproveitando cada segundo da vida dos meus filhos, e estar sim em primeiro lugar no pódio, mas do coração deles.

Vamos deixar as disputas de lado, porque de Olímpiadas já basta os 100 metros rasos correndo atrás da cria dia todo, o levantamento de peso no colo, a luta livre e você como juiz apartando as crianças e o triatlo diário para dar conta de tudo.

Lucinha Marinzek.

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