O RELATO DE PARTO DA MICAELA!

SENTA QUE LÁ VEM A MINHA HISTÓRIA

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40 semanas de Micaela!

E lá vamos nós para a Cesárea parte 2…aff. Parto da Marília, relato AQUI. Fugi tanto desse filme, que até por isso esse relato demorou a sair. Porque toca na ferida, já bem cicatrizada, mas ainda bem remoída. A verdade é que li tanto, me preparei tanto para um PN que esqueci de me preparar para o caso de tudo dar errado e vir uma cesariana rs.

Começo este relato fazendo 2 RESSALVAS:

  1. Quem acompanha este blog e page sabe que não tenho nada contra cesárea, apenas desejava um parto normal. Luto pela humanização do parto, seja ele de que tipo for. Para que as mulheres tenham seus direitos respeitados, sua escolha aceita e que um momento tão especial como o nascimento de um filho seja lembrado com alegria não com frustração e impotência.
  2. Sim, óbvio que o mais importante para mim sempre foi: eu e Micaela estarmos bem. Muito acima de tipo de parto. Contudo isso não tira a frustração de não ter dado certo. Mas encontrei PAZ ao decidir seguir em frente, feliz com o nascimento dela, e por eu ter lutado e tentado até o fim. Nem sempre dá para ser como queríamos. Creio no desejo de Deus

Nada com dona Micaela foi planejado, nem sua gestação, que dia 08 de Maio de 2015 me deixou sem ar e aos prantos, numa mistura de alegria, medos, culpa, desespero. Uma gravidez difícil, com Marília enciumada, muitos afazeres e pouco descanso, crises de gastrite e até uma pielonefrite (infecção nos rins) para tumultuar. Contudo, minha pititica estava BEM, e isso me deixava confiante e bem também.

Minha vontade pelo VBAC (parto normal pós cesariana) era cada vez mais latente e vivo. Com o APOIO da minha DOULA, que também é minha amiga pessoal, quem interessar nos serviços de anjo dela, segue link: MARÍLIA DOULA. Livros sobre parto em mãos, exercicios físicos para apoiar fisicamente no parto, apoio do meu marido e da minha mãe, engoli relatos de partos, vídeos, me apossei de mil e uma informações, dessa vez iria dar certo.

Minha go é minha prima, uma médica de confiança, e que sim, me garantiu que faria meu PN, contudo, desde início ela foi sincera: “eu só espero até 41 semanas, estando tudo bem, mais que isso não”. Ok eu disse, imagina, ela nascerá antes óbvio (eu e minhas tchonguices rs)

Minha cidade é pequena, aqui não tem parteira, não tem go humanizado, hospital com bola e banheira, nadica disso. Com o tempo, ao pesquisar um plano b e c…descubro que todos os obstetras daqui também não esperam mais que 41 semanas, só se for pelo SUS, com 50.000 intervenções, má estrutura e mesmo assim, olhe lá…

O medo ia surgindo até que, confirmado: Micaela estava cefálica (posição favorável ao pn, ao contrário de Marília que foi até o final pélvica, sentadinha rs). Bom, pensei eu: “tá tranquilo, tá favorável”. 37 semanas, Natal, Marília acorda dizendo que a irmã ia nascer e em seguida, bum, perco uma parte do tampão mucoso! “ah vai nascer, vai nascer” pensei eu, todas as leitoras e a torcida do Goiás hahaha

Não só NÃO nasceu como tampão se regenerou (nem sabia que isso podia acontecer rs) e passou Reveillon, passou as luas tudo (Joelma colega, te entendo, a lua também me traiu hahaha, #tamojunta)

O PÂNICO surgiu e eu comecei a PIRAR. Pirar de tomar chá de canela, de tentar induzir naturalmente. Andava quase 2 horas por dia com aquele barrigão, agachei mais que a Carla Perez no É o Tchan, comi comida mexicana e nordestina, escrevi carta pra ela, cantei, implorei e…NA-DA.

Bem, para não dizer nada, fora as contrações de treinamento, comecei com PRÓDROMOS FORTÍSSIMOS (pródromos são contrações irregulares, sem ritmo, que normalmente antecedem o trabalho de parto verdadeiro, dói bastante e aparecem mais a noite). Resumindo: era eu a noite acordada, com contrações desritmadas, ansiosa, tomando banho quente, orando para ser a hora e ao amanhecer tudo sumia..aff, olha gente, só quem vive entende. Eu normalmente sou bem humorada, mas comecei a noiar, chorar e ficar nervosa. Cansada de dores e com medo da cesárea. Na consulta de 39 semanas, a médica fez toque e necas de nada. Ela então foi clara:

-Próxima consulta com 40 semanas e 3 dias, se nada tiver alterado, não espero mais. Ela está alta, dorso a direita (fui pesquisar e realmente tem isso, óbvioooo que não impede um parto normal, mas dificulta sim um pouco a descida e saída do bebê tal posição), sua placenta já está em Grau 3, e daqui uns dias não fornecerá mais nutrição suficiente.

Ok. PÂNICO define. Fui ao shopping com 40 semanas, andei mais que Forrest Gump. Fui trabalhar para distrair. Adiantei posts do blog. Chorei, rezei. Saí muito sozinha com Marília, faxinei a casa 15 veiz e NADA. MAS GENTCHIIIII..

Só então eu finalmente me TOQUEI do óbvio, desde o início, o óbvio que eu que tanto me informei e deveria saber: É O BEBÊ QUE ESCOLHE O SEU MOMENTO, não adianta você tentar induzir mil vezes, mesmo que artificialmente (o que não era indicado no meu caso pelo risco de ruptura uterina devido cesárea anterior e nem eu queria, ou vinha naturalmente ou não vinha). E bom, MICAELA não estava pronta, não queria sair ainda. E já haviam se passado 40 semanas e apesar de tudo estar bem, nenhum médico queria esperar mais.

Com 40 semanas e 3 dias, foi feito toque, tudo fechadinho, quietinho e então, após muito rezar e abraçar com amor aquela cesariana, a aceitei e com 40 semanas e 4 dias, no dia 18 de janeiro, as 19:35 hrs, Micaela nascia.

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A levaram a mim, meu marido tirou a foto, a pegou e pôs no meu colo…

Não foi nada como sonhei, desejei, mas segurei forte na mão do meu marido e sorri, ela ia chegar e eu não iria a esperar chorando, eu iria sorrir. Ela merecia ser recebida com sorrisos e felicidade. E assim foi.

Por opção minha foi cortada a morfina da anestesia (para quem não sabe, além da raqui, medicamentos como morfina fazem parte da anestesia da cesárea), cortei porque é a morfina a responsável pela mãe ficar meio grogue no momento do nascimento, de dar reações pós cirurgia como dor de cabeça, alergia e coceira (tive alergia da cesárea da Marília), então pedi para cortar. Senti mais dor óbvio, não na hora, mas após, senti cada contração dolorida do útero diminuindo, cada ponto ao se mexer uma vírgula na cama, mas deu para suportar bem.

Fiquei absolutamente consciente e emocionada durante a cirurgia, meu marido que fica apavorado (hahah, as caras dele são as the best rs), ela nasceu e foi imediatamente para nós, para meu colo, meu cheiro, minha vista. O pediatra acatou meu pedido e evitou alguns procedimentos (como o banho em seguida nascimento). Tudo ia muito bem até que…EU DESMAIEI..hahaha

Meu marido estava com ela, observando o pediatra fazer o teste de apgar, tinha acabado de sair com a enfermeira, quando tudo ficou escuro e…apaguei. Durou pouco, mas, devido a isto demorei para ir para o quarto, e SIM, isto me mata na cesárea, você não poder levantar a cabeça e ver sua filha direito, as enfermeiras a colocarem de qualquer jeito no peito (braseeeel, falta auxiliar melhor as mulheres na amamentação hein, com profissionais de saúde mais qualificados e informação, aqui na minha cidade nem banco de leite tem genti), e devido ao desmaio eu ter demorado quase 2 horas para ir para o quarto. Meu marido e familiares estavam quase invadindo centro cirúrgico, quando finalmente eu surgi, BEM, GRAÇAS A DEUS.

A recuperação do pós parto foi anos luz menos dolorida e mais tranquila que da Marília (resguardo? nunca vi nem comi eu só ouço falar rs), tudo ok, zero remédios na volta para casa, apenas meu pacotinho e uma vida nova a nossa família, éramos 3, agora somos 4!

Para finalizar este relato, vou contar algo que aconteceu durante a madrugada que ela nasceu, no hospital.

Devia ser por volta da meia noite, marido cochilando no sofazinho, eu na cama com Micaela apoiada sobre meu peito, escuto os gritos de uma gestante parindo:

-Aaaaa, socorro, tá doendo muito, tá doendo muito.

Os gritos dela cortavam aquela madrugada calorenta e silenciosa. Que guerreira eu pensava. Comecei a rezar por ela, pedindo que Nossa Senhora a amparasse, lhe desse força e que ela e bebê ficassem bem. Curiosamente logo os gritos cessaram, e soube pelas enfermeiras que ela e o bebê estavam bem.

Na manhã da alta, por coincidência, eu e ela saíamos juntas, para ir para casa, cada qual com sua família e bebê.

Eu caminhava, ela pediu para ver Micaela, me mostrou seu bebê e disse:

-Você também teve parto normal?

-Não, foi cesariana.

-Meu deus. E você está andando assim normal, tranquila, mesmo após uma cirurgia dessas?

-Hum…to.

-Meus parabéns. Admiro viu, passar por uma cirurgia dessas, abrir o corpo, tantos pontos, eu morro de medo, e sei lá, carregar essa cicatriz, e ainda sorrindo.

Eu agradeci e a parabenizei também pela força dela. Fui embora com aquela cena na cabeça. Eu a admirando e ela a mim. Nem nos conhecemos. Sem julgamentos, sem cobranças, apenas reconhecendo o esforço de cada uma. Porque no final das contas, gerar é isso. Todas somos guerreiras, todas desejamos o melhor aos nosso filhos, todas enfrentamos dor (seja antes ou depois, seja com gritos ou pontos, seja parindo naturalmente ou ser parida com uma cirurgia). No final, nada disso importa, e a admiração que existiu entre eu e e ela é o que deveria existir entre todas as mulheres.

E assim Micaela veio, me mostrando mais uma vez, que aquela Lucinha controladora e que gosta de planejar tudo não existe mais, assim são os filhos, nos tiram por vezes do controle e nos mostram que planejar não é mais tão possível, mas nos colocam no rumo certo, o caminho do nosso coração.

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Foto de 1 mês dela, que hoje, 18/03 completa seu 2 mês!

beijos,

Lucinha.

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