E COM QUASE 42 SEMANAS, EU CONSEGUI MEU PARTO NORMAL!

SENTA QUE LÁ VEM A SUA HISTÓRIA

Esta coluna do blog é de vcs. Quinzenalmente histórias de leitoras, seja de parto, amamentação, alergias, se deseja passar sua história adiante, entre em contato conosco pelo email: sentaquevemhistoria@gmail.com

A história de hoje é da Simone, que assim como eu, passou dias em PRODROMOS (contrações irregulares, sem ritmo, frequência e que não são trabalho de parto, mas normalmente o antecedem)….ela passou das 38 semanas, das 39, das 40 e NADA. Começaram as perguntas de familiares, pressão, ansiedade MAS, ela conseguiu!!! uhuhuh

Lindo relato, que aliás me auxiliou muito quando eu estava prestes a receber Micaela em meus braços!

Ela é autora de uma page e blogs super legais, informa bastante sobre parto humanizado etc, que é: MÃE DE JOANINHA

“Em abril de 2013 me mudei de BH para Ipatinga-MG, meu marido veio a trabalho vim com ele. Não estávamos estabilizados financeiramente quando fomos surpreendidos pela minha gravidez. Não planejada, mas muito desejada! Fiquei feliz demais! Devia estar grávida de mais ou menos 4 semanas, mas contei pra Deus e o mundo! Apesar do medo e receio de como seria a parte financeira, eu resolvi não me preocupar. O que esse bebe iria precisar eu tinha de sobra: eu tinha muito amor!

Empolgadíssima, resolvi procurar no Google sobre gravidez. E a primeira reportagem era sobre violência obstétrica. Fiquei chocada e escandalizada, jamais imaginei que aquilo tudo acontecia orquestrado por médicos e pessoas destinadas a cuidar dos pacientes. Chorei muito com essa reportagem! E fiquei uns dias sem querer saber de nada!

Comecei o pré-natal e de cara fiz muitos exames de sangue. Na segunda consulta eu pergunto a dra sobre o parto e ela afirma que é cedo demais pra falar disso, que teríamos que ir vendo os meus exames. Bom, eu engravidei acima do peso, ela deve ter imaginado que uma gordinha teria os exames de sangue todos ruins né? Só que não! Eu não tinha resultados ruins. Exames de sangue todos bons, pressão boa e meu único “risco” seria o peso. Nessa consulta, a GO disse que provavelmente eu teria um bebe de aproximadamente 4 kg, pela minha estrutura e do meu marido (mais cheinhos e altos). Por causa dessa informação eu li bastante sobre parto de bebês grandes, macrossomia fetal, riscos, posições de parto, riscos de laceração, etc…

relato simone rocha 2

Tem momento mais lindo?

Alguns dias depois de ter lido a temida reportagem, me lembrei de uma prima que havia parido na água, no Sofia Feldman e conversei com ela. Foi uma conversa ótima e ela me deu uma tranquilizada. Me falou que eu precisava procurar informação de qualidade e que ia me ajudar. Me adicionou em vários grupos de discussão no Facebook e me indicou algumas leituras. Nesse ponto eu já havia curtido a página do Renascimento do Parto e já estava recebendo algumas informações importantes. Comecei a ler tudo e me informar de tudo e por várias vezes o que eu lia me deixava desorientada… A realidade de Ipatinga passava longe daquilo tudo que eu via e queria. Aquele tipo de parto respeitoso e humano era um sonho bem distante! Meu marido até então não me apoiava e não queria saber de se informar comigo. Eu mandava artigos e ele não lia, me desencorajava a continuar na minha busca dizendo que seria do jeito que tivesse que ser e que eu devia só curtir a gravidez. Mas eu não queria que fosse assim, aliás, eu sou inquieta e ansiosa! Jamais esperaria 9 meses sem procurar informação!

Comecei a ler reportagens para o meu marido. Colocava vídeos de parto e o chamava pra ver. Mostrava o outro lado, o lado obscuro dos partos hospitalares e o lado bonito dos partos humanizados. E foi dando certo… Eu, enfim, havia acendido a chama da curiosidade dentro dele. Quando saiu a pré-venda do Renascimento do Parto, nós compramos. O dvd chegou e escolhemos um final de semana sem compromissos pra vermos juntos. Ele assistiu a tudo calado e eu preocupada com a reação ao final. Quando acabou, eu em prantos e ele em silêncio, ele desligou o dvd, sentou do meu lado e disse: Hoje eu entendi a sua preocupação e ansiedade sobre seu parto. E hoje eu te digo que vamos lutar juntos pelo melhor parto para você e nossa filha. Estou com você nessa!

Estávamos afinados! Mas meu parto teria mesmo que ser em Ipatinga, eu não poderia ir pra BH pra ter o tão sonhado parto humanizado na água. OK! Vamos tentar tudo aqui mesmo! Pra isso eu, com 32 semanas de gestação, abri mão do meu plano de saúde com cobertura do parto, para um novo plano por outra empresa. Eu teria somente direito a consultas e exames básicos e teria meu parto pelo SUS. Assim eu teria mais chance de não ganhar uma cesariana pra engrossar as estatísticas.

Os dias passando e eu ficando mais ansiosa e com medo. Chorava muito! Só de pensar em passar por qualquer violência dentro do hospital eu já perdia um pouco a confiança. Aliado a isso, tinham as opiniões das pessoas ao redor. Do tipo: “você é corajosa demais”, “pn é um terror, só sofrimento”, “depois que você ganhar a gente conversa e você vai ver se valeu a pena mesmo”, “aqui em Ipatinga você não terá a menor chance de um parto respeitável”, “não vai ter jeito, você vai ganhar o pacote completo de intervenções”. Ahhhhh Senhor, que vontade de estapear cada uma dessas pessoas! Eu ficava calada porque morria de medo de ser arrogante demais e depois ainda virar chacota. E me sentia muitas vezes fraca, com pensamentos de derrotada sem mesmo ter ido à luta.

Mais uma vez exalto a atuação do meu marido durante minha gestação. Nesses momentos de fraqueza ele me lembrava de que estava ao meu lado, que lutaria pelo “nosso parto” e que não deixaria nada nos acontecer. E isso me ajudava a seguir em frente buscando e não desistindo antes da hora.

Fizemos plano de parto, que não entregamos pra ninguém, pois fez parte da estratégia que montamos para conseguir nosso resultado. Mas foi importantíssimo para nos fazer assimilar as escolhas e definir cada passo que daríamos. Os dias chegando, consulta toda semana, us toda semana, cardiotoco toda semana (intervenções desnecessárias para uma gestação de baixo risco, mas que eu aceitava para não criar muito caso, pois eu não teria outro hospital para recorrer se eu me tornasse persona non grata).

Em uma das consultas a GO foi categórica: se não nascesse até o dia 25 de junho eu teria que ir induzir, pois faria 41 semanas e pelo protocolo do SUS, essa era a semana limite de espera. Meu coração doeu! Não queria trazer minha filha antes do tempo dela. Nem por cesárea e nem pela indução. Relatei que sentia pródomos há uma semana, ela fez um toque e viu que eu tinha 1 cm de dilatação. Mas isso não significava nada, pois não era TP…. Afff!!! Mais uma semana e mais uma consulta. Os mesmos pródomos e o mesmo 1 cm de dilatação. O cardiotoco e us mostravam que minha filha estava ótima! E a GO autorizou que eu só fosse induzir no dia 29 de junho, mas que não passasse dessa data! OK, conseguimos mais 3 dias!!!!

O trabalho de parto

O dia 29 de junho seria um domingo e eu estava muitoooo ansiosa!!! Passei os dias andando dentro de casa, rebolando, fazendo movimentos circulares para ajudar a encaixar e quem sabe iniciar o trabalho de parto. Os pródomos continuavam e por 2 dias consecutivos achei que ia engrenar e… nada! Resolvi relaxar, afinal, que eu escolha eu tinha?

Enfim chegou o sábado. Um dia apenas para ir para a indução. E eu estava muito decepcionada por não ter entrado em trabalho de parto. E chateada por ter que induzir minha filha a vir pra esse mundo sem ser a hora dela.

Quando deu umas 20:00 eu estava esgotada emocionalmente e resolvi tomar um banho. Entrei no chuveiro e chorei! Mas chorei muito! Não estava nada dentro do mínimo esperado e eu me sentia frustrada. Conversei com minha barriga e expliquei pra minha filha tudo que aconteceria no dia seguinte. Listei pra ela que colocariam um remedinho dentro do colo do útero para ajudar ela a sair e que eu sentiria contrações que acordariam ela antes do previsto. Mas que ela não precisaria ter medo, pois eu e o pai dela estaríamos lá para recebê-la e que ia ser bom demais ver o rostinho dela.

Fui deitar e adormeci logo. Acordei às 3:00 da manhã com dor de barriga, mas no banheiro não saiu nada. Eu, ainda sonolenta, voltei pra cama, mas a dor de barriga tava chata e incomodando. Fiquei nessa por meia hora e de repente percebi que com a dor, vinha um aperto no pé da barriga. E desconfiei que era tp. Começou a apertar a dor lá pelas 4:00 da manhã e eu resolvi contar as contrações. Estavam ritmadas de 7min e meio em 7min e meio. É… era trabalho de parto! Acordei meu marido e disse que talvez iriamos mais cedo pro hospital, que estava em tp e ele deu um pulo da cama! Mas eu resolvi ir pro chuveiro antes e fiquei lá por 1 hora. Sai, acordei minha mãe, acordei meu marido e fomos tomar café da manhã. Essa hora eu já estava com dores mais intensas e com menos intervalo. Saímos para o hospital… meu marido querendo correr e eu pedindo pra ir devagar… Esse foi o único dia que eu não estava com pressa nenhuma! Rsrsrsrs… Passamos ainda na farmácia e depois fomos para o hospital.

Chegamos lá e fui fazer a admissão. No consultório avisei que estava com 41+3 e a enfermeira quase caiu! Disse que estava passando da hora (oi?). Me passou para a médica dizendo que minha pressão estava um pouco alterada, 13×9 (oi?). Eu disse que estava normal, que isso não era alteração de pressão, visto que para chegar na maternidade do hospital eu tinha que subir uma rampa gigante. Desconversaram e me mandaram fazer exames. Mais um us e um cardiotoco e mais 1 hora de espera para ir pro pré-parto.

O conto da carochinha

Fui admitida no pré-parto ás 9:30, a dra de plantão chegou e me perguntou se eu havia tomado café da manhã e eu disse que sim. Ela me repreendeu e disse que a partir daquele momento eu não comeria e nem beberia mais nada, pois, eu iria passar por uma cesariana (oiiii??? ). Eu perguntei porque uma cesariana e ela disse que o peso estimado do feto era de 4070 kg e que era perigoso um pn nessas condições. Eu só disse que não aceitava e que eu continuava com o pn e meu marido, sarcástico, perguntou se pra ela feto com 4 kg era indicação de cesárea. Ela, bem inconformada com a negativa e o questionamento, disse que sim, pois poderia ocorrer distócia de ombros (quando o bebe fica preso pelos ombros) e que isso era risco para mim e para o meu bebe. Mas que ela conversaria com a outra plantonista e veria o que podia fazer. Affff…

Volta a médica com a outra plantonista. Uma senhora, mais experiente e mais respeitosa. Me disse que realmente o bebê era grande, que poderia sim ter distócia de ombros, mas que era algo raro.Tão raro que ela tinha 16 anos de profissão e havia feito 1 parto com essa intercorrência. E que elas iriam respeitar sim minha decisão do pn, mas que teria um limite. Se meu tp demorasse muito ela voltaria para conversarmos sobre uma cesariana. A outra médica ficou irritadíssima e mais uma vez tentou me “alertar” sobre o perigo que eu estava correndo. E eu, já sem paciência, disse que eu sabia o que era distócia de ombros e que não estava preocupada igual a ela. E assim me deixaram em paz pra curtir meu tp.

O parto

Nos momentos a sós, eu e marido, tiramos muitas fotos e nos abraçamos e beijamos e rimos daquilo tudo. Ele sempre de mãos dadas comigo me dando apoio emocional, depois de uma crise de choro, acarretada pelo medo da cesárea.

O local estava muito frio. O ar condicionado parecia no máximo e eu só queria ficar deitada embaixo das cobertas. As contrações aumentaram consideravelmente a intensidade da dor. Se antes eu quase não as sentia, nesse momento eu estava sentindo o que era contração de tp.

Dei um pulo, me agarrei no pé da cama e agachei. Mais uma e eu arrebitei o bumbum, mais uma e eu estiquei as costas. Onde tá a posição confortável gente?? Juro que li sobre isso! Não aguentei e voltei pra cama, sem o cobertor, porque nesse ponto eu estava suando em bicas.

Mais uma contração e senti um poc dentro de mim. Falei pro meu marido chamar alguém, pois minha bolsa havia estourado. Levantei e lá veio o líquido descendo quentinho pelas minhas pernas. As contrações agora eram mais intensas. Muuuuito mais intensas! E eu comecei a chorar e pedir a presença de alguém para me avaliar, pois após o rompimento da bolsa, as contrações ficaram insuportáveis em questão de segundos.

Ele chamou a enfermeira, que demorou uma eternidade e meia pra chegar. Enquanto ela não vinha chamei meu marido e falei: meu filho, vai lá e chama a médica, fala que eu aceito a cesariana!!! Se eu tiver que ficar assim mais 1 hora que seja eu não vou aguentar! Kkkkkkkkkkkkkk…. Ele riu e disse que não era isso que eu queria e que estava treinado pra não aceitar se não fosse caso de vida ou morte!

A enfermeira veio e eu autorizei que ela fizesse o toque (pois ela era a enfermeira obstétrica). Ela disse toda feliz que eu estava com 6 de dilatação. Pensei: só você que tá feliz né minha filha? Porque eu tô louca aqui!

Nesse momento, chegou a dra e pediu autorização para o toque. Quando fez o toque disse que não era 6 de dilatação…. era 9! Uhuuulllll…. grazadeus essa criança nasce! Kkkkkkkkkkkkkkkkk… Pedi uma anestesia e ela consentiu, disse que eu fosse pro chuveiro pra aliviar a dor da contração que eu iria tomar a anestesia e ia direto pro centro cirúrgico.

Tô lá doidona no chuveiro, agarrada na barra pra não escorregar. Cada contração eu saia da orbita terrestre e ia pra algum lugar remoto. Mas aí veio uma dor, mas uma dor muito mais forte que as outras e a enfermeira conclui que minha filha está nascendo. Foi um samba do criolo doido dentro daquele chuveiro!!! Sai, deitei na cama do pré parto e a dra chega com o anestesista… coitado veio a toa! Não dava mais tempo, a dra olhou entre minha pernas e falou: O pai, vem cá ver uma coisa! Tá vendo isso aqui? É a cabeça da sua filha!

É…. ela tava nascendo na sala do pré parto!

Corremos pra sala de emergência e depois de fazer 2 forças minha filha nasceu. Eu nem acreditava que tinha acabado, que ela tava ali, eu custei a perceber ela na minha barriga! E ela tava lá, me olhando quietinha. Não chorou… só ficou me olhando. Até hoje não sei dizer em palavras o que eu senti. Aquela emoção, aquele sentimento… é divino!”

relato simone rocha

Família linda! Deus abençoe…

Eu amei essa história, sou suspeita, porque vivenciei os PRODROMOS, você imagina que vai engrenar, que está em trabalho de parto e bum, nada rs. Ansiedade consome rs.

Beijos,

Lucinha

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