MATERNIDADE É ALUCINÓGENO.

MATERNIDADE É ALUCINÓGENO

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A viagem mais louca e viciante que um ser humano pode vivenciar têm nome e sobrenome: maternidade e paternidade. Pais preparem-se para as baladas mais insanas madrugada adentro. Noispiratáligado?

Pariu nunca mais dormiu? Exageros a parte, é meio que assim mesmo. Quase um walking dead da vida real. E você que via aquele pessoal em festa eletrônica escutando 10 vezes o mesmo som e o achava malucos né? Experimente ouvir 20 vezes seguidas o DVD da galinha pintadinha, com direito a dancinha, porque mãe que é mãe rebola por um sorriso desdentado.

Mano, que o baguio é loko.

A maternidade te alucina. Após noites em claro entre mamadas, embalos e choro, de repente você se vê embalando o carrinho do supermercado, escuta choros de bebê mesmo quando ele está dormindo, amamenta o travesseiro, sai na rua de pijama e sem pentear o cabelo. Tem olheiras no rosto, rói as unhas, mal come e tem visões que todas as pessoas olhando seu filho dar uma birra no mercado são a Supernanny.

Mó viagem!

E a parada é viciante rapaiz. Você até tenta ficar longe, mas vê crianças e bebês em todos os lugares quando sai sozinha. Tem noias de escutar seu codinome (mamãe) sendo chamado mesmo estando só. Só fala nisso. Só pensa nisso. Não sei se é o cheiro, se são aqueles pezinhos bisnaguinhas ou as dobrinhas, mas o conjunto todo é viciante. De repente, você se vê dependente, e como viciada que está não admite a dependência.

“Nossa, quando essa fase vai passar? Quero que cresça logo! O bebê é muito dependente de mim” mal sabendo você que tu que é dependente dele, que vai chorar quando ele não mamar mais, se esguelar no primeiro dia na escolinha, e até disfarçar, mas ficará irritadíssima, quando ele for todo feliz da vida com outra pessoa sem nem se lembrar de você.

É fácil reconhecer uma viciada no bebê. Os indícios são fortes: olheiras, unhas a fazer, coque no cabelo, vômito ou dedos sujos na roupa, sonolenta e desmemoriada. Não, e não tem tratamento. Na verdade o vício é tão bom (tem dias que bate umas bad admito), mas ninguém quer largar não, umas até se arriscam em aumentar a dose, com mais um, dois, três ou mais filhos a perder de vista.

Maternidade é igual pular em piscina fria. Você toma coragem, vai, assusta no início, sai nadando desgovernada para esquentar, algumas vezes até cogita pensar em sair, mas olha pro pessoal lá fora e diz: “Podem vir que a água está uma delícia”.

Lucinha Marinzek

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