VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM DISCIPLINA POSITIVA?

image

Você se lembra sobre o que pensava quando criança e era punido por algum mau comportamento?

Alguma vez você já se perguntou em que as crianças estão pensando quando estão sendo punidas?

Essas são algumas das perguntas feitas por Jane Nelsen em seu livro Disciplina Positiva.

Algumas podem estar pensando que elas são más, sem valor e que não são amadas pelos seus pais, algumas decidem não repetir o comportamento que causou a punição por medo de serem punidas novamente. Outras podem estar pensando em como vencer os pais e evitar serem pegas na próxima vez, outras podem estar pensando em vingança. Como podemos perceber o foco é sempre negativo, a punição até funciona, ela interrompe o mau comportamento a curto prazo, mas a que custo?

Segundo Jane Nelsen a punição ensina a violência, dissimulação, baixa auto estima e muitas outras habilidades negativas. Porém muitos pais ainda fazem uso desse método porque tem medo de estar abrindo mão do controle da situação, e como a longo prazo a punição não apresenta um efeito satisfatório, um dos maiores erros dos adultos é pensar que o mau comportamento continua porque a punição não foi severa o suficiente, e desta forma o ciclo de vingança e punição se perpetua.

Ao decidir parar de punir você terá que praticar novas habilidades e precisará de um tempo de treino para ajudar as crianças a aprender o respeito mútuo e habilidades de resolução de problemas, é quase que nascer de novo, abandonar tudo que até então você sempre achou que seria o certo, é se reinventar e descobrir novas formas e habilidades de disciplina que podem não surtir um efeito imediato, mas que a longo prazo refletirá em seu filho (e em você mesmo) qualidades e valores importantes como: responsabilidade, autodisciplina, cooperação, habilidade de pensar objetivamente, respeito por si e pelos outros, interesse em aprender, cortesia, honestidade, auto controle, habilidade de resolução de problemas e muitas outras.

A disciplina positiva é um dos 8 Princípios da Criação com Apego, trata-se de uma abordagem que não inclui controle excessivo nem permissividade, ela é baseada em respeito mútuo e cooperação, incorpora gentileza e firmeza ao mesmo tempo. Significa AGIR em vez de REAGIR.

Mas por onde devemos começar?

IMG_5960

Primeiramente precisamos olhar o mau comportamento com outros olhos.

O mau comportamento  é uma falta de consciência, uma ausência de habilidade, ou desencorajamento para enfrentar determinada situação. Muitas vezes as crianças são punidas por “se comportarem mal” quando na verdade seus cérebros ainda não desenvolveram o suficiente para compreender o que é esperado delas.

Outras tantas vezes as crianças se comportam mal porque estão cansadas e com fome… E quem é o responsável por isso?

Esses são apenas exemplos para alertar que o que devemos ter em mente é que precisamos interpretar todo o mal comportamento, tentar descobrir o que as crianças estão querendo dizer com aquele ataque de choro ou uma rebeldia. Algumas perguntas podem estimular a criança a descobrir a causa e a pensar em soluções para resolver o problema, como por exemplo :

  • O que aconteceu?
  • Por que você acha que isso aconteceu?
  • Que ideias você tem para solucionar o problema?
  • O que você aprendeu para que isso não se repita outra vez?

Outra dica importante é a EMPATIA, se colocar no lugar da criança e pensar: se eu estivesse com alguma dificuldade, como eu gostaria de ser tratado? A empatia faz milagres em qualquer relacionamento humano, independente da idade.

O foco da disciplina tradicional é ensinar as crianças o que não fazer ou o que fazer porque alguém disse que é assim que deve ser feito. O foco da disciplina positiva é ensinar às crianças  a pensar o que fazer,  convidando-as  a refletir  usando o respeito e tentando achar soluções para o benefício de todos. As crianças começam a se comportar melhor porque isso passa a fazer sentido pra elas e porque faz bem ser tratado e tratar os outros com respeito.

É preciso abrir mão da ideia de que o sofrimento e a humilhação são ferramentas para que uma criança aprenda e se comporte bem. Você por acaso se sente motivado em a ter uma boa conduta quando é humilhado?

É importante enfatizar que eliminar a punição não significa permitir que a criança faça o que quiser, na disciplina positiva o lema é: “juntos, nós vamos decidir as regras para nosso benefício mútuo. Também vamos pensar juntos nas soluções que nos ajudarão a resolver nossos problemas. Quando eu precisar usar o meu discernimento sem a sua interferência, eu serei firme, com gentileza, dignidade e respeito.”

Quando usamos firmeza com gentileza e respeito, logo as crianças aprendem que o mau comportamento não atingem os resultados que elas esperam.

Outra ferramenta sugerida  é o “DAR UM TEMPO POSITIVO”, e essa ideia eu particularmente achei genial. Seria uma espécie de cantinho do pensamento, mas muito melhor. O cantinho do pensamento soa como uma punição que segundo a autora do livro pode desencadear aquele ciclo vicioso de vingança, raiva, e etc…

O dar um tempo positivo, propões que a própria criança crie ou ajude a criar seu espaço, uma área que as ajude a se sentir melhor, nesse espaço elas podem ler um livro, usar um brinquedo, ouvir uma música, enfim coisas que ela goste de fazer. Ensine o valor de se acalmar e a importância de esperar que todos se sintam bem antes de tentar resolver um conflito, afinal ninguém resolve nada enquanto não consegue se acalmar e pensar em soluções racionais, por isso o tempo positivo serve para os pais também, que inclusive podem tomar essa iniciativa primeiro dando o exemplo aos filhos.

Muitos pais acreditam que o o tempo positivo é uma forma de recompensar a criança pelo mau comportamento, mas a autora do livro revela que este é um pensamento de quem acredita que é preciso punir para ensinar.

Quando a criança se comportar mal , os pais podem dizer: Te ajudaria ir para o “seu lugar feliz”?

Após se sentirem calmos e prontos para conversar algumas perguntas podem estimular a criatividade e sinceridade das crianças na resolução do problema:

  • O que você estava tentando fazer?
  • Como você se sente sobre o que aconteceu?
  • Porque você acha que isso aconteceu?
  • O que você aprendeu com isso?
  • Como você pode usar o que aprendeu, no futuro?
  • Quais são suas ideias para solucionar o problema agora?

As perguntas não são um roteiro, porque cada caso é um caso, é preciso entrar no mundo do criança e conduzir uma conversa respeitosa e não punitiva, lembre-se que ela está confiando em você, sua reação poderá garantir ou não que ela continue confiando. Algumas crianças já acostumadas com o método da punição podem apresentar alguma resistência pois se sentem desconfiadas, cabe aos pais criar um ambiente de confiança dia após dia.

E por fim gostaria de mencionar sobre as REUNIÕES EM FAMÍLIA que geralmente são realizadas quando a criança já tem 4 anos completos.

As reuniões podem ser realizadas uma vez por semana, deve-se definir o dia e a hora da reunião, e depois de decidido nada deverá interferir, se o telefone tocar por exemplo, atenda e diga que liga mais tarde, não deixe a reunião em segundo plano, seus filhos vão seguir o seu exemplo.

Todos terão oportunidade de apresentar assuntos a serem esclarecidos na reunião, a soluções devem ser tomadas em consenso e não por votação que pode acarretar uma divisão na família. Todos juntos devem trabalhar para encontrar uma forma respeitosa de resolver um problema.

As reuniões podem começar com um elogio sincero para cada membro da família, e devem terminar com uma atividade prazerosa como um lanche, um jogo, enfim fica a critério da família.

A cada semana deve ser nomeado um presidente que conduzirá a reunião, e um secretário para anotar a ata. Utilizar um objeto como microfone quando for a vez da cada um falar também é algo que torna o momento mais organizado e lúdico.

A família pode também escolher um lema para cada mês, para que possam refletir sobre ele e sua importância para a família.

Como vocês podem ver existem várias formas de enriquecer o momento da reunião em família, tornando um momento prazeroso e de cooperação, e é nessa hora que vocês resolverão conflitos, distribuirão tarefas, planejarão atividades, todos de comum acordo. Eu particularmente fiquei bastante encantada com o método.

Bom gente, meu objetivo aqui não é esgotar o assunto, inclusive já indiquei nesse post aqui o livro Disciplina Positiva, se você assim como eu, se encantou pelo método, adquira o livro, nele você encontrará muito mais informações, dicas, depoimentos, exemplos, enfim… o conteúdo é rico e extenso.

O método não funciona como mágica, pelo contrário a curto prazo muito pouco você verá resultado, mas acredito que a médio e longo prazo veremos que valeu a pena. É muito difícil por em prática, até porque nosso cérebro está treinado para a punição,  afinal a punição é quase que uma reação não foi preciso ninguém nos ensinar, apenas reagimos é meio que instintivo. Agir com paciência e empatia exige um grande esforço, precisamos reprogramar o nosso cérebro, é um treinamento diário.

Se é totalmente possível colocar em prática eu não sei, controlar nossos instintos não é fácil… Mas se queremos que as crianças controlem seu comportamento porque não ao menos tentarmos controlar o nosso? Eu tenho tentado, pois considero o método justo, nem sempre tenho sucesso, na verdade na maioria das vezes eu não consigo, as crianças crescem e fica cada vez mais difícil, mas continuo insistindo.

Percebem que tudo que foi tratado aqui vale para nós adultos também? É isso que mais me fascina, o que eu não quero pra mim é óbvio que não quero pra minha filha, não quero ser punida e nem humilhada… Se isso não funciona com nós adultos porque funcionaria com as crianças? As crianças (assim como os adultos) fazem melhor quando se sentem melhor.

Bjs,

Paula 🙂

Esse post foi baseado no livro Disciplina Positiva de Jane Nelsen
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s