DESFRALDE – TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

Oi meninas, tudo bem? Atendendo a pedidos, hoje vou falar sobre o desfralde. Esse é sem dúvida um grande marco no desenvolvimento infantil, e um dos assuntos que mais preocupam e confundem as mamães.

Nesse texto quero tentar solucionar algumas dúvidas auxiliando assim numa transição mais tranquila para mãe e filho.

E pra começar vamos entender como funciona o processo do xixi e do cocô no organismo da criança:

A “torneira” é a uretra, que é controlada pelos esfíncteres, a contração ou o relaxamento dos esfíncteres é que permite o esvaziamento da bexiga, e é entre os 18 e 24 meses que a criança COMEÇA a ter o controle sobre os esfíncteres. E da mesma forma acontece no intestino com o cocô.

Durante o tempo em que a criança está aprendendo a controlar os esfíncteres, ela está construindo sua auto-estima, desenvolvendo uma boa relação com o seu corpo e, consequentemente, consigo mesma. Por isso é importante fazer com que esse processo ocorra de forma tranquila, caso contrário ela poderá sofrer com isso e apresentar outros tipos de problemas no decorrer do tempo.

E pra que tudo ocorra da melhor forma possível é preciso primeiramente observar se a criança apresenta alguns sinais de estar preparada para esse momento.

MAS QUE SINAIS SÃO ESSES?

  1. Contar que fez, está fazendo ou que está com vontade de fazer xixi ou cocô;
  2. Conseguir adiar essa necessidade, mesmo que por poucos instantes;
  3.  Parar o que estiver fazendo, se levantar (se estiver sentada) e procurar um cantinho e mesmo que de fralda você nota que ela está fazendo.
  4. Permanece com a fralda seca por mais tempo;
  5. Incomoda-se com a fralda suja ou molhada;
  6. Faz bastante xixi de uma vez só (e não de pouquinho em pouquinho)
  7. Costuma fazer cocô em horários mais ou menos previsíveis;
  8. Demonstra interesse em usar o vaso sanitário;
  9. Tem palavras para xixi e cocô;
  10. Entende quando lhe é dada uma instrução, como por exemplo: “pegue aquela bola.”;
  11. Já tem equilíbrio e anda com firmeza, consegue correr e subir degraus (alternando os pés);
  12. Consegue abaixar e levantar as calças;
  13. Consegue ficar sentado na mesma posição por entre dois e cinco minutos;
  14. Não demonstra resistência à ideia de usar o penico ou a privada;
  15. Está numa fase em que gosta de colaborar, e não numa fase “do contra”;
  16. Entende que cada coisa tem o seu lugar;
  17. Entende os sinais físicos de que está com vontade de ir ao banheiro, e consegue pedir para ir (ou até segurar a vontade um pouco).
OK, SINAIS IDENTIFICADOS, E AGORA COMO COMEÇAR?
  1. Nomear o ato do xixi e cocô para que possam aprender a pedir;
  2. Decidir se vai utilizar o penico ou redutor de assento;
  3. Verificar se a rotina do seu filho está tranquila, sem grandes mudanças à vista;
  4. Leve seu filho para comprar cuecas/calcinhas e o incentive nessa nova fase;
  5. Deixe-o observar quando você vai ao banheiro, explique o que está fazendo e o incentive a fazer também;
  6. Para os meninos o ideal é que aprendam a fazer xixi sentado, após já adaptado poderá fazer em pé, com o auxílio de um banquinho;
  7. Livros ou desenhos sobre o assunto também podem ajudar;
  8. Quando o processo for iniciado é preciso que ocorra de uma só vez. O desfralde gradual é mais demorado e pode confundir a criança, como por exemplo em casa ficar sem fralda, e pra sair colocar a fralda;
  9. Neste momento prefira roupas fáceis de pôr e tirar, nada de roupas complicadas;
  10. Use a criatividade para aliviar o estresse e para conseguir que seu filho permaneça sentado no penico ou vaso sanitário por mais tempo. Vale cantar, ler história, e o que mais a imaginação mandar;
  11. Observe os horários que seu filho costuma fazer xixi e/ou cocô e antecipe-se a ele, perguntando se quer ir no banheiro, e se ele não apresentar resistência leve-o mesmo que ele não faça nada;
  12. É importante, também, ficar atento a possíveis necessidades da criança em observar sua urina ou fezes no vaso sanitário, especialmente quando vai dar descarga, pois para ela o fato de suas produções simplesmente desaparecerem é um mistério; em alguns casos, é até motivo de preocupação. Por vezes, realizar rituais como, dar tchauzinho para o xixi ou o cocô, e dizer que foram passear podem ser ações muito bem-vindas;
  13. Ofereça recompensas pelas pequenas vitórias, pode ser comida, brinquedo, adesivos, moedas no cofrinho, passeios, ou alguma outra coisa que o seu filho gostar.
desfralde1

Imagem: Google

E O DESFRALDE NOTURNO?

Há quem faça o desfralde diurno e noturno de uma vez só, há quem prefira fazer separado. O recomendado é que quando seu filho estiver oficialmente desfraldado durante o dia, você comece a pensar no desfralde noturno.

É importante observar:

  1. Assim que ele acorda, se a fralda está molhada. Só decida eliminar a fralda da noite quando perceber que ele acorda quase sempre com a fralda seca (cinco noites seguidas é uma boa medida);
  2. Quando acordar ofereça para levá-lo ao banheiro o mais rápido possível, pois há crianças que fazem xixi imediatamente ao acordar;
  3. É interessante diminuir a quantidade de líquidos após as 18 horas e sempre levar a criança ao banheiro antes de se deitar.;
  4. Explique ao seu filho que a partir de agora ele irá dormir sem fralda e se quiser fazer xixi terá que te chamar;
  5. Parabenize toda manhã quando a cama amanhecer seca, e não perca a paciência quando a cama amanhecer molhada, apenas volte a explicar que ele precisa te chamar se quiser ir ao banheiro.
  6. Caso ela continue fazendo xixi na cama nos primeiros dias, é necessário acordá-la e acompanhá-la até o banheiro em um horário específico durante a noite.

Isso pode demorar mais do que você imagina. O organismo pode ter dificuldade de segurar o xixi durante as fases de sono profundo. Se você tentou e os episódios de xixi na cama se transformaram em um transtorno para a família, simplesmente volte atrás, explique que é melhor esperar um pouco e que logo o corpo dele estará pronto para tentar outra vez.

Mesmo tomando todo cuidado para que o desfralde ocorra com sucesso, a crianças pode fracassar, mesmo que queira fazer direito, pois isso depende de uma aprendizagem que leva um certo tempo. Aos poucos os sucessos tornam-se mais frequentes que os fracassos. Para que isso aconteça, a compreensão do adulto, quando ela não consegue se controlar, é fundamental. Todo o esforço pode ir rapidinho por água abaixo, e o processo atrasar meses e meses, se você perder a paciência e fizer a criança se sentir mal porque o xixi ou o cocô escaparam.

POR ISSO CUIDADO:

  1. Segure a bronca com todas as suas forças, mesmo que seu filho esteja fazendo cara de paisagem, como se nada tivesse acontecido, e haja cocô por todo lado;
  2. Se as escapadas estiverem ficando frequentes demais e seu filho parecer não se importar, talvez valha a pena pensar em dar um tempo e só recomeçar com o processo dali a alguns meses;
  3. O fato de a criança manifestar alguma dificuldade num dia pode ser uma coisa passageira. Os adultos não devem se preocupar. Somente se a dificuldade persistir por muitas semanas, aí então será necessário investigar melhor o que está acontecendo ou procurar ajuda de alguém mais especializado, ou até mesmo suspender o processo por algum tempo;
  4. Cada criança tem o seu próprio tempo para criar maturidade emocional e estar preparada neurologicamente para o ato, o controle do esfíncter varia individualmente. Além disso problemas no intestino podem atrapalhar pela dificuldade natural que isso causa;
  5. Outros aspectos podem atrapalhar como a falta de sintonia entre os pais e a criança ou até mesmo a neura dos pais por limpeza: sempre que a criança vai ao banheiro ou acontece um escape, a reação é de extrema necessidade de limpá-la imediatamente. Isso pode causar um bloqueio;
  6. Alguns penicos que cantam músicas ou fazem barulhos nem sempre são bem-vindos e podem acabar se tornando assustadores ou até serem vistos mais como uma brincadeira do que como parte do processo;
  7. Alguns problemas podem acabar se originando devido à neura dos pais. Perguntas como “Vamos fazer cocô?”, “Você quer fazer cocô?”, “Ai, acho que a gente tem que ir fazer cocô…” em excesso podem acabar despertando na criança algum tipo de desespero que provavelmente será convertido em bloqueio.
  8. Desapreciar o cocô da criança, alegando o mau cheiro, mesmo que ironicamente, pode levar aos mesmos resultados. Crianças não entendem o sarcasmo. Com base nisso, ela só quer fazer cocô escondido, na fralda, e fica segurando até não aguentar mais, o que pode ressecar as fezes e causar a constipação, entre outras coisas.
  9. Ter o intestino preso pode, acabar dificultando o desfralde pelo fato de que, com as fezes ressecadas, a evacuação se torna mais dolorosa e, em consequência disso, a criança evita ao máximo fazer cocô pelo medo da dor. É importante procurar regular o hábito intestinal dela, o que inclui também mudanças alimentares.
  10. É normal uma criança retroceder no processo de desfralde e, de repente, voltar a fazer xixi nas calças, os retrocessos estão ligados a distúrbios emocionais ou à alta ansiedade, é preciso investigar quais as possíveis causas que está desencadeando esse comportamento.
  11. O processo de desfralde dura, em média, de dois a três meses. Os escapes são naturais, mas tendem a ir diminuindo conforme o amadurecimento.
  12. Tirar a fralda cedo pode ser prejudicial à criança,o despreparo e a imaturidade podem gerar ansiedades, que voltam a se manifestar futuramente em escapes constantes quando mais velha, por exemplo.
  13. Existem crianças maiores que conseguem usar o vaso sanitário para fazer xixi, mas que só fazem cocô na fralda. Esse comportamento é um pouco complicado para entender e abordar nesse texto, afinal cada criança tem seus medos, na minha pesquisa encontrei um texto que gostei muito, deixo um trecho aqui para vocês:

“Uma técnica que costuma ajudar a criança se apropriar de seu controle é implicá-la na colocação e retirada da sua fralda (que deve ser colocada com a criança em pé e nunca deitada, remetendo à posição do bebê no trocador). Com 2 anos e meio ou mais a criança tem coordenação motora para colocar e tirar a própria fralda. Assim, na medida em que o controle do cocô passa a ser de fato seu, a criança pode se autorizar a exercê-lo sem meandros. Mesmo que nas primeiras vezes ela tenha que ter ajuda de um adulto, é ela quem deve colocar a fralda, retirá-la e depois jogar o cocô na privada (melecas fazem parte do processo de aprendizagem e crescimento!). É a criança quem deve estar no controle, e não o adulto.”

Retirado do blog Ninguém cresce sozinho.

Se você está passando por essa dificuldade, no blog você pode ler o texto na íntegra.

O desfralde é uma dessas questões sem resposta da maternidade, como por exemplo: porque uma criança come super bem e a outra não, ou porque uma dorme a noite toda e a outra acorda várias vezes, o mesmo acontece com o desfralde algumas crianças desfraldam cedo e outras não. Crianças assim como os adultos são indivíduos diferentes umas das outras, cada uma tem seu tempo e suas dificuldades, não adianta querer impor a vontade dos pais acima do tempo certo de cada uma.

Ensinar o filho a usar o banheiro pode ser um momento estressante e frustrante, mas lembre-se de que isso é apenas temporário e seu filho irá aprender, mais cedo, ou mais tarde. Não precisa entrar em pânico sempre que seu filho tiver algum escape ou se mostrar despreparado para esse momento, se as coisas não estiverem indo bem é porque a criança não está pronta. Quando for o momento certo, ele vai fazer as coisas da maneira certa.

Ensinar, conversar e incentivar, sempre com amor e paciência, certamente é o melhor caminho!

Espero que tenha ajudado de alguma forma!

Deixo aqui os relatos de desfralde diurno da Marília e da Lara, para auxiliar ainda mais nesse processo.

Desfralde Diurno da Marília.

Desfralde Diurno da Lara.

Bjs,

Paula:)

Sites que me ajudaram para fazer esse texto:
http://www.pediatriaemfoco.com.br
http://professoratatianealmeida.blogspot.com.br
http://mdemulher.abril.com.br
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