E AGORA, QUEM PODERÁ ME DEFENDER?

e agora quem poderá me defender

Acredito que não tem coisa que nos deixe tão sem reação depois que nos tornamos mãe quanto um ataque de birra.

Mesmo nos casos de doença ficamos sem chão, mas sabemos a quem recorrer, ligamos pro pediatra, levamos ao hospital, enfim…

Mas e na hora da birra o que fazer?

Nosso primeiro impulso é tentar acabar com o episódio o mais rápido possível, o problema é que na hora parece que nada funciona.

Agradar não funciona, ameaçar não funciona, oferecer coisas legais em troca não funciona, esperar a criança se acalmar sozinha não funciona…
Gente que coisa horrível é essa?

E com as tentativas frustradas de cessar com a birra vamos nos exaltando também. Se é em público então, nem se fala! Olhares recriminando e julgando toda nossa trajetória como mãe em apenas alguns minutos, que parecem horas é verdade, mas mesmo que fosse não é apenas isso que nos qualifica.

Sabe qual o grande problema?
As pessoas e principalmente nós mesmas temos a ilusão de que mãe precisa saber de tudo. Que somos obrigadas a ter o poder de com uma simples palavra mágica acalmar qualquer tempestade que seja. Sim as vezes da certo, mas não temos que carregar esse peso de acertar sempre.

Temos o direito de não saber e não conseguir resolver uma situação, não há problema nenhum nisso.
Mas estamos tão atordoadas com tentativas desesperadas de acalmar a criança que muitas vezes não nos danos conta de que quem precisa ser acalmada somos nós.

Depois de vivenciar alguns ataques de birra aqui em cada, percebi que nada se resolve durante a tempestade, esse é nosso grande erro – o meu pelo menos. É preciso deixar a tempestade passar, se houver alguém pelo caminho para lhe emprestar um guarda-chuva, aceite! Ajudas de verdade são sempre bem vindas.

E o grande segredo para atravessarmos as fases de dificuldade, é a coragem de se desprender de expectativas, nossas e alheias. É assumir nossa condição humana de que não somos infalíveis, e não há vergonha nenhuma nisso. Fazemos o nosso melhor e sabemos disso.

O que fazer então no próximo ataque de birra? Ceder?
Não sei exatamente, mas penso que o ideal mesmo era se pudéssemos criar um universo paralelo, onde nada em nossa volta pudesse influenciar nas nossas atitudes. Onde tudo e todos ficassem paralisados assim que o ataque começasse, e nossos esforços fossem concentrados apenas em acolher e ser acolhida, mãe e cria, cada um na sua dificuldade, sem esperarmos por olhares de aprovação ou reprovação pela forma como administramos a situação.

Não é tarefa fácil, mas viver aprisionado em corresponder expectativas alheias também não é. Cabe a nós escolhermos qual caminho difícil queremos seguir.

Por Paula de Souza

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