E QUANDO O PARTO NÃO É COMO O DESEJADO E ESPERADO?

O relato de hoje é de uma amiga, a Mari, mãe de duas meninas, e hoje ela relata o parto da sua primogênita, a Raíssa. O desejo da Mari por parto normal sempre foi LATENTE E CERTO. Sua mãe havia tido três partos normais, e era o que ela desejava, desde o início.

 Infelizmente, como ainda ocorre e MUITO, esse desejo lhe foi tirado.

Como vocês sabem (quem nos acompanha) não somos contra cesárea, somos contra o desrespeito a mulher. A violência obstétrica, ao desamparo, descaso.

 Em situações em que o parto, que deveria ser lembrado como o momento mais lindo da vida de uma mãe, se torna algo traumático.

Com a palavra, Mari:

relato mari souza 3

Foto linda de gestante né…adorei!

Era uma vez uma mulher que sonhava em ser mãe. Fez tudo “certinho” namorou, casou e engravidou. Sempre achou muito lindo parto na água e achava que era fácil ter um. Essa era eu na minha primeira gestação.

Até cheguei a olhar alguma coisa no Google para procurar parto na água em hospital, mas aqui na minha cidade SP não apareceu nada e olha que é grande e não achei. Como tenho convênio e estava sendo acompanhada por um ginecologista/obstetra fofinho que todo mês me passava exames e ultrassom e eu achava que estava tudo certo, mas na verdade não.

Para começar ele não me deu um cartão de pré natal (eu nem sabia que existia), já no final da gestação com 36/37 semanas ele questionou o hospital, eu mencionei o que eu queria por ser próximo de casa e mencionei meu desejo por parto normal nisso ele começou a dizer sobre os benefícios da cesariana, eu fiquei irritada e meu marido que sempre me acompanhava adorou a ideia do obstetra.

Tentei mudar de obstetra mas o discurso era o mesmo, eu ficava tão brava e irritada que sinceramente eu nem consigo me lembrar de todas besteiras que eu ouvi. Como eu não achei outro médico continuei com o mesmo, já que a data prevista do parto se aproximava. Fui para a última consulta com o obstetra fofinho e o mesmo me deu afastamento do trabalho e disse já que você não quer fazer cesárea acabamos por aqui só entregar essa carta na empresa e fazer acompanhamento no hospital onde você quer ter o bebe a cada dois dias ou se sentir alguma dor.

Eu saí de lá péssima, eu me sentia muito mal, incapaz e com um sonho na cabeça e acreditava que ia ser fácil, afinal minha mãe foi assim, teve três partos normais. Eu fiquei por muito tempo afastada de redes sociais, pois eu tinha muita vertigem e muitas coisas para fazer, durante o dia trabalhava e durante a noite sentia muito sono, eu até participava de alguns grupos mas não era muito ativa e não perguntei, eu só pensava na minha filha que ia nascer, só pensava no que ela precisava, por isso não pedi ajuda para parto, que até então era algo tão natural, achava que eu ia ter aquelas coisas de novela, bolsa estourando, dores, correria para o hospital. Eu estava muito despreparada.

Então, segui o plano do médico, me afastei do trabalho e em casa me sentia super ansiosa, todos me questionavam e aí já nasceu? E me deixavam ainda mais ansiosa, mais preocupada. Até que chegou o dia que o médico preveu o nascimento da minha filha e nada, todos ficaram preocupados. Mas fui no hospital e estava tudo bem e retornei para casa. Fui novamente ao hospital dois dias depois e a médica ao me atender, disse que eu já tinha passado da hora que não entendia como tinham me deixado ir embora, com 39 semanas. Segundo nos cálculos dela eu já estava de 41, 5 semanas e a previsão do meu ginecologista era nascimento no dia 20 e era dia 21.

relato mari souza

Adorei esta foto tbm.

Então, meu marido que já era a favor da cesárea, ficou ainda mais preocupado, eu ali chorando e implorando por um parto normal e a médica dizendo que eu não podia, que eu não conseguia porque eu não sentia nada de contração, nenhuma dor, minha barriga estava muito alta e que minha bebê era muito grande e que ela poderia morrer… Que ela era super a favor de parto normal, mas no meu caso ela estava pressentindo que eu não ia conseguir.

*Como minha vizinha tinha tido um bebê de parto normal e no caso dela era necessário mesmo uma cesariana e os médicos não fizeram, e o bebe dela veio a falecer, meu marido e eu ficamos preocupados, isso foi um dos fatores cruciais para ter aceitado a cesárea.*

Então eu virei para o meu marido e disse vamos embora, eu acho que não está na hora, ele disse melhor ficar e ouvir a médica, se formos embora e algo acontecer. Então, eu liguei para minha mãe e pedi que viesse ao hospital. Então começaram os procedimentos para internação. Eu não consegui curtir o meu parto, eu estava com medo e assustada, consegui dar um abraço na minha mãe e na minha irmã antes de ir para o centro cirúrgico. Mas nem assim me acalmei. Quando cheguei na sala o anestesista veio me explicar o procedimento, eu mencionei o meu medo de anestesia e ele fez uma cara de “que idiota” e disse que eu não precisava ter medo.

As enfermeiras limpando minha barriga, colocando o pano e eu perguntava e o meu marido? Eles falando super secamente, “ele já vem”. Aí era horrível, eu queria fugir dali. Parecia que eu estava sentindo elas mexerem na minha barriga e mencionei para o anestesista que foi super grosseiro, totalmente ríspido e disse “não, você não tá sentindo nada”. Nessa hora eu fiquei muito mal, aí que eu sentia vontade de sair correndo mesmo. Comecei a prestar atenção nas enfermeiras que sem o menor respeito estavam falando de suas vidas pessoais, eis que ouço uma delas dizer: “Nossa a doutora está animada hoje hein, já é a sexta cesárea dela.” Logo, meu marido chegou, agarrei a mão dele com força e não conseguia soltar. A doutora chegou e começou o corte, lembro dela brincar, não demorou a chamar meu marido e disse vai nascer, vem aqui conhecer sua filha.

relato mari souza 2

E linda e calminha, Raíssa chegou!

Eu não queria soltar a mão dele, mas disse vai lá e tire fotos. Ele foi… Enquanto eu fiquei ali aguardando, ouvindo seu chorinho e os elogios do pai. Foi um parto frio, doloroso por dentro, não senti dor física, era uma dor na alma.

Ele voltou enquanto as enfermeiras arrumavam minha filha, pedi para deixarem eu vê-la e disseram que estavam pesando e medindo. Logo ela veio embrulhadinha, eu olhei nos seus olhinhos e disse o quanto eu a amava, o quanto era linda, perfeita, cabeludinha, muito mais do que eu sonhava. Percebi que a enfermeira estava já com uma cara de irritada querendo levar minha filha e assim ela colocou ela na encubadora e deixou que nos pelo menos nos olhássemos de longe eu ficava admirando, enquanto a médica me fechava pediram para o meu marido sair. Eu fui levada para a uti e minha princesa para o berçário, foi horrível ficar sem ela, demorou no mínimo umas 2 horas até que me levassem para o quarto. Depois que eu estava no quarto eu pedia para as enfermeiras trazerem minha filha e nada, foi péssima essa espera.

Quando ela chegou foi só alegria, um amor incondicional, uma felicidade sem fim, eu me vi transformada, meu coração transbordava tanto amor, é algo inexplicável, uma emoção que jamais senti. O parto não foi do jeito que sonhei, me arrependi muito de não ter me emponderado, de não ter estudado mais sobre parto e ter me submetido a cesariana. Mas eu confio em Deus e sei que ele fez o melhor para nós e eu serei eternamente agradecida por ele ter me dado a Raíssa o melhor presente que eu poderia ganhar.

Com carinho, Mari.

QUER TER SEU RELATO PUBLICADO AQUI? ENTRE EM CONTATO CONOSCO PELO EMAIL: sentaquevemhistoria@gmail.com.

beijos,

Lucinha.

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