COLOCANDO HORÁRIO NAS MAMADAS – LARA 1 ANO E 10 MESES

E se tem um assunto que dá o que falar é amamentação, e não importa pra que lado você seguiu, se amamentou exclusivo, se deu mamadeira, se continua com amamentação prolongada todo mundo tem uma teoria e um pitaco pra dar.

maamadasAqui em casa foi amamentação exclusiva até o 6º mês e com muita dificuldade de introdução alimentar, livre demanda rolou até 1a10m não sei se uma coisa tem haver com a outra, mas sempre tive a pulga atrás da orelha com relação a isso (apesar de conhecer crianças que comem bem, mesmo sendo amamentadas ao seio), tentei seguir firme sem dar muito ouvido aos palpiteiros de plantão que diziam que a Lara não comia bem pelo fato de mamar no peito, mas o fato é que muitas vezes me questionei se isso realmente fazia sentido.

Meu grande desejo era partir pra um desmame natural, que acontece por parte dela, conforme fosse se interessando mais pela comida, sem que eu precisasse regular as mamadas, mas sinceramente tenho minhas dúvidas se isso realmente seria possível, Lara é doida, viciada no mamá, acho que se eu deixasse na vontade dela ela iria desmamar com uns 15 anos rsrsrsrsrs.

Desde que começamos a investigar os probleminhas de saúde da Lara no ano passado minha preocupação é óbvio só aumentava, ela comia quase nada, não engordava nem crescia, mas o pior de tudo eram as alterações nos exames de sangue, dentre elas baixa reserva de ferro.

Tudo isso aliado ao meu cansaço e estresse por tentar fazer ela comer e não conseguir, por ver as alterações dos exames não melhorarem, dieta de exclusão de leite e derivados, 1a10m de noites mal dormidas (Lara acordava de 4 a 5 vezes pra mamar durante a noite). E se a gente dorme mal, claro que o dia não vai ser dos melhores, eu estava sempre cansada, mal humorada e chata. Foi então que cheguei no meu limite e disse pra mim mesma: CHEGA! QUERO DESMAMAR!

Mas e ela? Era visível que ela não estava pronta, ou talvez não quisesse estar, e um desmame abrupto não estava nem de longe nos meu planos. Mas ser mãe tem muito disso também, incentivar, “pegar na mão” e ensinar a crescer, talvez fosse dessa atitude minha que ela estava precisando, talvez sozinha ela não soubesse como começar.

E nessa conclusão me enchi de coragem e disse é agora, vou com fé! rsrsrs. A ideia era começar colocando horário nas mamadas pra ela já ir se acostumando devagar e não do dia pra noite cortar tudo de uma vez.

Moleza né? É só dizer que agora não está na hora de mamar, como ela já é grandinha vai entender. SQÑ. Lara estava acostumada a mamar quase que de 10 em 10 minutos, toda hora queria dar um “bicadinha” e foi só eu dizer as palavras mágicas: “agora não é hora” que ela surtava, chorava bastante e não tinha o que acalmasse, e como na maioria do tempo estávamos sozinhas em casa não tinha alguém pra me ajudar a distraí-la pra outra coisa, eu acabava cedendo.

Um dia na soneca da tarde ela dormiu mamando e sem querer mordeu o bico do meu seio, e eu gritei de susto e de dor, ela acordou assustada, falei que fez dodói no mamá da mamãe, e foi aí que me veio a ideia: e se eu colocasse um curativo no seio, qual seria a reação dela?

Me julguem, me crucifiquem, façam o que quiser, (só eu sei tudo o que passei, por mais que existam situações semelhantes nenhuma é IGUAL) mas eu coloquei o tal do curativo (achei melhor tática do que lambuzar o peito com alguma coisa ruim e dar pra ela mamar), e pra minha surpresa ela aceitou 1000x melhor do que quando eu apenas dizia “que não estava na hora de mamar”. Ela procurava eu mostrava dizendo que estava dodói e ela desistia, até que eu percebia quando ela tinha chego a seu limite então eu cedia e amamentava. E assim foi durante 1 mês, as mamadas que eram de 10 em 10 minutos, se resumiram a 2 mamadas de manhã (aproximadamente às 7h e as 10:30), 2 a tarde (aproximadamente às 13:30 e as 18:00h) e 1 a noite pra dormir.

Antes de começarmos todo esse processo, compramos massinha de modelar, tinta de pintar com os dedos, aquarela para pintar com pincéis, carimbos, livros novos e interativos, montamos um arsenal para ajudar a distraí-la nos momentos críticos em que ela quisesse o mamá. E foi bastante útil aqui pra nós.

DESMAME NOTURNO

Nesse período também tentei o desmame noturno, peguei carona no dodói. Na primeira noite ela mamou pra dormir e quando acordou por volta de 1h, eu disse que o mamá tava dodói, ela resmungou um pouco, mas nem chegou a chorar, virou pro lado e dormiu. Bom demais pra ser verdade né? Mas foi assim em todas as outras vezes que ela acordou nesta noite, pra minha surpresa sem choradeira. Fui amamentar de novo só às 5:30h porque percebi que era o limite dela. Nas noites seguintes ela reclamou um pouco mais, mas não foi por muito tempo não, e eu segui respeitando o limite dela, não deixo ela passar a madrugada chorando, mas também não cedo logo no primeiro pedido dela por mamar.

O desmame noturno empacou um pouco pelo fato de minha mãe ter vindo passar um tempo conosco e principalmente pela chegada do inverno. Então acabei colocando a Lara pra dormir comigo de novo, já que ela não se cobre, e por mais que eu agasalhe bem, quando acordo durante a noite ela está com as mãozinhas geladas.

Mas sigo durona, não cedo na primeira não, e quando deixo ela mamar é só um pouco, esse negócio de ficar chupeitando sem hora pra largar não acontece mais não. Creio que ao final do inverno retomaremos com força total o desmame noturno.

VOLTANDO ÀS MAMADAS DIURNAS

Quando minha mãe veio passar um tempo conosco me ajudou a espaçar ainda mais as mamadas, até porque era preciso que ela entendesse o processo do desmame como ele é realmente, eu não poderia ficar alimentando a ilusão de que o mamá estava dodói por tanto tempo.

A rotina ficou assim: Lara mamava por volta das 6h, voltava a dormir e quando acordava minha mãe já vinha buscá-la pra tirar ela de perto de mim e já levava ela para a cozinha para “ajudar” a vovó a preparar o café da manhã, com isso minha mãe mantinha ela entretida e interessada na refeição.

Mas quando chegava próximo ao horário do almoço era o limite dela, então ela começa a reclamar e a chorar, percebemos isso e quando o horário que ela queria mamar se aproximava, minha mãe saia pela vizinhança com ela, iam no parquinho, usava as tintas e os brinquedos que compramos, enfim, tinha que usar a imaginação, enquanto isso eu ficava em casa preparando o almoço. Quando elas voltavam Lara chegava doidinha por um mamá, e foi aí que o grande lema se instalou: COMER PAPÁ, PRA SARAR O MAMÁ! Eu ainda permaneci com o curativo durante os primeiros dias, então falávamos que tinha que comer o papá pra sarar o mamá, e aos poucos fomos tento resultado. Ela mesma repetia o lema, rsrsr.

Aí sim após almoçar, eu deitava com ela na cama e amamentava, e ela acabava dormindo.

A sorte é que ela dorme bem a tarde rsrsrs, ela acordava comia alguma coisa e o negócio era sair passear, distraí-la porque se ficássemos na nossa rotina, seria ainda mais difícil. Chegava próximo ao horário de costume de mamar ela já começava choramingando, e aí entrava tudo que pudesse pra distraí-la, por volta das 19:30h ela jantava, tomava banho e aí o mamá estava liberado até a hora de dormir.

Minha mãe já foi embora, mas sigo a rotina direitinho com 3 mamadas “apenas”, cada vez organizando mais os horários da forma como quero deixar, no começo é muita correria, as vezes tínhamos que almoçar mais cedo pra não deixá-la chorar, mas era importante que ela entendesse que só após a refeição é que podia mamar. Com o tempo os horários se normalizam e as coisas fluem mais naturalmente.

CONCLUSÃO

Não foi fácil gente, nem pra ela e nem pra mim, mas também eu pensei que seria muito mais difícil do que foi, claro que as vezes é 1 passo pra frente e 2 pra trás, os dias passam e muitas vezes não conseguimos ver resultado, mas hoje olhando pra trás vejo o quanto caminhamos.

Não radicalizei, fiz o máximo para respeitar o limite dela e não deixá-la chorando. Sempre tentando distraí-la e oferecendo coisinhas pra ela comer e beber, fiquei sempre por perto e dava colo sempre que ela pedia pra ela saber que o mamá podia estar dodói, mas eu estava ali e sempre estarei.

Claro que hoje não coloco mais os curativos e ela respeita quando eu digo que não é hora de mamar. Sim ela ainda procura, vai que rola né? Não custa tentar rsrsr. Mas aceita numa boa quando recuso.

Não me arrependo da minha atitude, tenho claro pra mim que ela precisava que eu desse esse ponta pé inicial pra que então ela pudesse aprender, crescer e se desenvolver. Os últimos exames de sangue tiveram bons resultados todos dentro da normalidade, e isso é um alívio enorme, ela cresceu e engordou um pouco também. Tem se alimentado muito melhor, graças a Deus! Sem falar que brinca mais a vontade, sem ter que ficar parando a todo momento pra mamar.

E meu cansaço diminui tanto que acho que ele nem existe mais! Não penso em desmame total por enquanto, estamos felizes desse jeito, amo amamentar é um momento nosso de muito carinho e declarações que mesmo antes de acabar já sinto saudade.

Foram ao todo 4 meses para chegarmos nesse resultado, que não considero concluído ainda, já noto que meu leite diminuiu bastante desde que as mamadas diminuíram. Mas Lara ainda curte muito o mamázinho dela, quando é a hora liberada do mamá ela aproveita ao máximo, principalmente após o almoço, não apresso ela, deitamos e deixo que ela mame o quanto quiser, é o nosso momento, as vezes dorme as vezes não. E quando se sente satisfeita diz que não quer mais mamar e vai brincar feliz da vida.

Antes que eu possa ser mal interpretada, quero deixar bem claro: SOU A FAVOR DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO ATÉ O 6º MÊS DO BEBÊ, SOU A FAVOR DA LIVRE DEMANDA, SOU A FAVOR DA AMAMENTAÇÃO PROLONGADA. Só Deus, e as pessoas bem próximas de mim sabem o quanto lutei para por em prática tudo o que eu acredito.

Pras mamães que estão pensando no desmame eu digo: escute teu coração, escute seu instinto, não costuma falhar. As vezes na pressa por ver resultados e de por um fim numa situação desgastante, a gente acaba cedendo à imposições que os mais velhos e mais “experientes” tem sobre o assunto. Mas de cada filho quem entende é a mãe, ninguém mais do que você sabe como ele irá se sentir, até onde é o limite, quando avançar. Ajuda é bem vinda sim, e no meu caso foi essencial, mas desde sempre quem fez as regras fui eu, com base no que conheço da minha filha, e no ritmo que ela poderia suportar.

Acredito que me ver no controle da situação (e não terceiros) ajudou a Lara a aceitar melhor o processo.

Bjs,

Paula 🙂

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