O NASCIMENTO DE UMA MÃE PELA ÓTICA MASCULINA

UM RELATO DE PARTO COMO VOCÊ NUNCA VIU.

TEXTO LU

No fundo eu sempre soube que a Lucinha seria boa mãe, mas tinha certos receios, contudo, ali mesmo, na mesa de parto, com Marília nos braços qualquer dúvida foi embora. Ela não seria uma boa mãe, ela já era.

Sempre pensei num futuro em ter filhos, mas assim que casamos, a ultima coisa que eu pensava era em ser pai. E ela também. Mas daí, como sempre nela aliás, deu um treco na mulher, parecia que tinha soado um gongo e ela queria porque queria engravidar. Quase me levou a loucura. RS

Era madrugada, de um domingo em que o Corinthians foi campeão do campeonato brasileiro, 05/12/11 (ps: Lucinha falando, ops, escrevendo, ele só lembra porque foi jogo mimimi do Corinthians,senão rs) e fui acordado tão bruscamente que pensei: “casa ta pegando fogo” mas não, era ela gritando: “to grávida, grávida”, enfiando o teste no meu nariz e ficando absurdamente brava porque segundo ela, não dei atenção suficiente ao fato.
-Lucinha, era para fazer o teste de manhã!
-Mas é quase de manhã!
-5 horas da madrugada de domingo amor!
Bom, se tratando dela, argumentos não adiantam. 500 desculpas depois, mil outros testes de farmácia, teste de sangue (sabe-se lá o porquê ela ficou fazendo tanto teste) a primeira consulta veio e logo escutamos o coração. Ela chorou, eu fiquei tocado, mas ainda não me sentia pai sabe, ficha parece que ainda não tinha caído.

E assim foi toda gravidez, com ela absolutamente pirada, mais que o normal. Minha esposa é uma das pessoas mais felizes e bem humoradas que conheço na vida, mas também a mais mau humorada e pirada quando quer. E acredite, a mudança se dá em segundos. A gestação foi toda assim. Ela enjoava, mal engolia já vomitava e eu não sabia se acalentava, porque ela xingava ou se fugia rs.

Ela comprou um monitor fetal para acompanhar os batimentos da Marília e todo santo dia tinha de escutar, ai se não escutava, ela chorava e nós também, de medo dela rs.

Mas seria injusto eu dizer que só de loucuras foi feita a gravidez da Marília, porque também encarei boquiaberto minha mulher, como sempre em tudo aliás, super segura, tomando as rédeas, lendo tudo quanto é artigo, fazendo uns exercícios doidos de ginástica (ps 2: eram pélvicos!! Aff), comendo igual uma draga e super, super mãe já.

Os momentos mais marcantes da gravidez eram quando eu lia para a minha filha, e assim que eu começava a ler, a barriga da Lucinha parecia um liquidificador se mexendo, acho que foram naqueles momentos que crescia em mim a paternidade.

Daí chegou o momento tão esperado e a sua mulher, aquela que é nervosa, animada, agitada, simplesmente fica ZEN, assim do nada. Dorme e ronca na noite anterior ao parto (ps: ronco o #$%¨##@, eu não ronco gente), vai ao supermercado, carrega sacolas pesadas com 9 meses de gestação, fica andando pela casa igual uma maluca de camisola e fica estranhamente, calmíssima. Nossa, que isso me deixou tão nervoso!

Ela falava parecendo aqueles cantores de reggae, só na vibe, e quase infartei de aflição. Onde estava minha mulher?
Foi andando para o centro cirúrgico, contou piadas, nem fez careta com a anestesia, e entrou numa nóia de que a maca era muito estreita e que ela ia cair com a Marília. Calma, absolutamente calma. Minhas mãos suavam, eu tremia e ela lá, segura de si. Achava bizarro relatos de homens que desmaiam, mas a verdade é que por pouco eu não o fiz. Sangue, sangue, corta aqui, de lá, e a Lucinha lá toda na vibe.

Acho que assim que veio o positivo ela já era mãe, mas eu não, eu me tornava ali realmente pai, e aquilo me deixou em pânico, alegria, loucura, medo tudo.

Quando escutamos o choro e ela veio direto para o colo da mãe, aquilo me impactou demais, a segurança com que minha esposa a pôs nos braços, a maneira que sussurrou no ouvido dela, uma tranqüilidade tão maçante e um momento tão sublime que me emociono até hoje.

Quando a enfermeira a passou da Lucinha para mim, eu tremia, meio desengonçado, torto, tão pequenininha, tão minha. Pediatra foi fazer os procedimentos e foi nesse momento que a Lucinha normal retornou:
-Vai lá junto ver! Fica de olho nela.
-Mas e você?
-Eu o que? Eu to ótima, vai lá, não desgruda dela!
Lucinha tinha paranóia de a Marília ser trocada na maternidade. Rs.

textonascimento mae 2

Tantos momentos me marcaram desde o nascimento dela, mas o maior de todos, foi, assim que chegamos em casa com nosso pacotinho, ela dormindo, a colocamos no berço, fomos almoçar, babá eletrônica ligada (ela me fez testar umas mil vezes se funcionava antes dela nascer), retornamos para o quarto, e fomos tentar dormir.

Mas tudo que fizemos foi não dormir. Ligamos a TV, mas não assistimos nada, sintonizamos então a TV na babá eletrônica, e mesmo ali, portas abertas, quartos grudados, ficamos olhando ela na telona, escutando cada ruído, cada respiração, vendo ela dormir. Nossas mãos entrelaçadas, embascados demais de amor por nossa menina.

Ficamos assim até ela acordar de fato. Tá certo, eu fiquei, porque a Lucinha levantou umas dez vezes, mesmo escutando, para checar se respirava mesmo, se tava gelada, quente, se vomitou, se vinha vento e todas as coisas que ela, mesmo hoje, após quase 3 anos, continua fazendo todo santo dia com a Marília.

Quando ela acorda de noite, mal abro os olhos e ela já está lá. Parece saber o que ela quer comer, antes mesmo dela pedir. São tão ligadas, e é tão lindo de ver, que às vezes me pergunto se ela realmente saiu de todo da barriga da mãe, ou se de alguma forma, aquele cordão ainda está lá, unido.

À Marilia: filha, ainda pretendo viver muito. E vou. E ao lado da sua mãe, porque eu não sou besta.
Mas, caso eu venha a morrer, vou tranquilo de deixá-la com ela. Que é a melhor dentre todos nós.

texto nascimento mãe

(ps: disgramado, me fez chorar dois litros rsrs e ps novamente: tive de implorar para ele escrever, elogiem gente rs)

7 opiniões sobre “O NASCIMENTO DE UMA MÃE PELA ÓTICA MASCULINA

  1. Lindo!!! Chorei tbm! Meu marido tbm diz que eu ja era mãe, mas foi depois que a Giovanna nasceu q ele realmente se sentiu pai! E ele sempre fez tudo junto na gravidez, todas as consultas e exames ele tava la!
    E é um pai maravilhoso q da a vida pela filha!

  2. Aaah gente, que texto apaixonante!!!! Eu sei que a maternidade (e a paternidade rs) é uma experiência complicada, uma responsabilidade imensa, mas quando resumimos a historia assim percebemos que foram mais momento bons que ruins … é isso tudo que faz valer a pena. Deus é generoso demais em nos conceder esta graça.

  3. Espetacular!!! Adorei a forma que escreveu!! Parabéns papai…Me identifiquei muito com ela…e meu esposo muito parecido com ele kkkkkkkkk
    Graças a Deus também tenho um pai exemplar dentro de casa que chega junto com tudo!!!

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