PARI UM MILAGRE

Hoje o nosso relato é a história de um guerreirinho que resolveu vir ao mundo antes do tempo previsto. Tive o prazer de acompanhar sua valente luta e fico imensamente feliz pelo final feliz dessa linda história.

A Zenaide tem uma doença chamada Trombofilia que é a propensão a desenvolver trombose ou outras alterações em qualquer período da vida, inclusive, durante a gravidez, parto e pós-parto, devido a uma anomalia no sistema de coagulação do corpo. Se não tratada rapidamente ou se ignorada, pode trazer sérios problemas para a mãe e até causar a morte do bebê. O risco é que os coágulos obstruam os vasos sanguíneos, causando o entupimento das veias dos pulmões, coração e cérebro materno, como também obstruindo a circulação na placenta (Fonte: Guia do Bebê).

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Heitor e sua mãe num momento de carinho.

Sendo assim a Zenaide enfrentou uma gravidez de risco e o pequeno Heitor resolveu vir antes do tempo. Acompanhem o relato dessa linda história.

Sofro de trombofilia, uma doença que aumenta a coagulação do sangue no corpo e deixa a pessoa mais propensa a ter uma trombose. Na gravidez a doença se torna ainda mais grave, comprometendo o desenvolvimento do feto e muitas vezes impedindo que ela prossiga. Antes de ser mãe, havia perdido dois bebês e só então descobri a doença.

O Tratamento consiste em aplicar todos os dias uma injeção de heparina sódica na barriga durante toda a gestação, ainda assim, as mães trombofílicas convivem com o medo e o risco de perder o bebê a qualquer momento. Não foi fácil, tive que engolir a dor do não para docemente receber o sim, eram picadas de amor e eu procurava me manter forte apesar de tudo. Reveza-me com o marido nas aplicações, a gravidez evoluía e eu era só orgulho, mas morria de vergonha de mostrar a barriga cheia de hematomas das picadas.

O pré-natal foi feito num hospital que trata de gestantes de alto risco, o hospital fica à uma hora e meia da minha casa (de carro) e eu me deslocava no mínimo duas vezes por semana para acompanhamento.

Numa ida dessas, no dia 04/07/2012, saí de casa com meu marido para fazer apenas mais uma US de rotina…Mas não foi bem assim…

Dali para frente minha vida mudara para sempre! No consultório, percebi o olhar preocupado do médico enquanto me examinava, meu Heitor estava sem movimentos, apenas o coraçãozinho batia! A partir de então começava o desespero, a gravidez teria que ser interrompida no 8º mês, para tentar salvar a vida do meu pequeno.. Heitor estava em sofrimento fetal agudo, rapidamente fui encaminhada ao centro cirúrgico, o médico plantonista deu ordem de retirar outra mãezinha para priorizar meu parto, era uma corrida contra o tempo.

Tudo aconteceu muito rápido, lembro-me de um aglomerado de profissionais da saúde me rodeando e dos olhares piedosos que me fitavam…aquilo me encheu de medo…mas eu precisava ser forte.

Ao terminar o parto, percebi a vitória da equipe médica ao saber que meu bebê estava vivo, as enfermeiras quase chorando e eu extasiada, mas muito feliz! Nesse momento meu marido que aguardava do lado de fora, entrou rapidamente, me beijou e saiu.

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Heitor ainda na UTI neonatal.

Heitor foi direto para UTI Neonatal, pesando apenas 1840Kg. Quando acordei, só queria saber como ele estava, meu coração sangrava por saber os riscos que ele corria e eu orava incansavelmente pedindo que Deus salvasse meu filho. Não foram poucas as vezes em que sozinha pelo corredor (da enfermaria até a UTI Neo) fui chorando, achava que não iria suportar tamanha dor. Era tão pequeno, tão frágil, confesso que balancei ao vê-lo naquela incubadora.

Iniciava uma luta contra infecção respiratória e icterícia. Eu tive alta logo no segundo dia, ir para casa sem meu “pacotinho” era mais doloroso que tudo, me recusava, não aceitava, não entendia…

Por que comigo? Logo eu que já o amava tanto? Ia e voltava todos os dias, passava o dia no hospital e assim vivenciei os 10 dias mais longos e dolorosos da minha vida. Era duro ver cada furada, perdas e ganhos de peso, a incerteza de não saber quando ele sairia…

Eu só tinha a fé, apenas isso! No décimo dia, estava eu distraída na sala de terapia pintando uma toalha para meu pequeno quando o pediatra me chamou, tremi achando que era algo ruim, nunca pensei que fosse para ouvir o que eu tanto pedia a Deus: “Mãe, vamos para casa? Heitor teve alta”.

Saí pulando e gritando de alegria pelos corredores do hospital, ligava para meu marido, para minha irmã, mãe, pai…família toda!

Em casa muita festa, pela primeira vez depois que ele nasceu, pude entrar no quarto do meu filho sem derramar lágrimas de tristeza, mas sim de muita alegria! A partir de então, a cada amanhecer, comemoro não apenas o seu nascimento mas o seu renascimento…o milagre da vida!

Por fim, venci a trombofilia… superei a prematuridade. Mas como esquecer dos momentos que pαssei? Dα pessoα que me tornei? Dαs dificuldαdes que enfrentei? Dα vitóriα que conquistei? É improvável que um diα eu irei olhαr pαrα trás e não me lembrαr, com riquezα de detαlhes, dos momentos onde eu tanto αprendi. Da garra, força e sabedoria que não me fizeram umα heroínα, mαs sim, MÃE! Aprendi como estα pαlαvrα faz bem α αlmα.

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Pequeno e valente Heitor. Hoje com 2 anos e 4 meses.

Explico e defendo esse momento, e digo àquelαs que αcreditαm que ser MÃE dói, “Dor – tu és um prαzer”.

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