QUANDO A VIOLÊNCIA VEM DISFARÇADA DE ZELO

10616647_852980691403523_2494798103661653157_nO mundo é produto de nossas ações, e elas, de nossas vontades. Nunca se exigiu tantas cabeças rolando por tão pouco, e ironicamente, nunca vimos tanta gente com a cabeça fora do lugar, por quase nada.

Pais que batem nos filhos para que eles aprendam a não bater. Que mostram sua força para impor autoridade. Respeito ou medo? No mínimo um paradoxo não? Bato porque educar é também dizer não, dizem alguns. Mas para se ensinar o não é necessário o bater?
“Meu filho não bata em mim, estou batendo em você para que não bata em mim, mas eu posso, pois sou forte e sou sua mãe, exijo respeito!” Respeito se exige ou se merece?

Médicos que tratam gestantes, no momento mais íntimo e emocionante na vida de uma mulher, que é o trabalho de parto, com um desdém revestido de preocupação, violência camuflada de zelo.
“Mãezinha, estou terminando os pontos da episio e tive de usar fórceps tá, fiz isto para auxiliar você e salvar seu bebê!” “Pare de reclamar senão eu paro seu atendimento.” “Eu sou o medico e eu sei o melhor!” Talvez até saiba mesmo, e assim esperamos, mas para fazer da razão como profissional é necessário violentar o emocional de uma paciente?

“Aquela moça xingou o goleiro de macaco! Racista desgraçada, aquela branquela devia ser estuprada, piranha morta, jogada aos cães.” E é assim, com racismo e violência que realmente o iremos combater? Que pare de ler este texto quem nunca, num momento de irritação errou em palavras ou atitudes com o próximo! Que as destilou apenas para magoar. Você apenas não foi flagrado por câmeras e exposto em redes sociais!

Três exemplos de muitos, tão diferentes e tão próximos entre si. Você pode estar se indagando: “próximos como?” Todos usam da violência, física ou emocional para combater o que há de errado, para fazer uso do seu poder, seja como pai, profissional ou pura e simplesmente como cidadão.

Talvez alguns pais batam nos filhos no auge da dor, cansaço e desespero, numa tentativa ínfima de ensinar. Só que ensinam com dor, e eu indago, como você reagiria se frustrado, chorasse e recebesse em troca a indiferença ou alguns tapas? Se a pessoa que você mais amasse e confiasse neste mundo, um gigante aos seus olhos, retribuísse sua birra com violência?

Quem sabe também, em muitos casos, os obstetras, os bons, ajam realmente para o bem, convictos daquela resolução, contudo, destilar poder com rispidez é a maneira mais rápida de se perder em meio ao ego, pois a cada vez que se desrespeita para se fazer respeitado se perde mais que se ganha, transformando sonhos em pesadelos.

Quiçá outrora, a moça que agira com racismo errou, e realmente o fez, e merece punição, contudo pagar um erro com outro, violência com mais violência e o preconceito com puro racismo só faz a causa toda se perder, esvair por entre os dedos.

O problema maior do ser humano é não conseguir escutar suas próprias palavras, refazer seus passos, olhar com sinceridade para dentro de si e deixar a hipocrisia de lado.
Não se ganha da violência agindo como ela, mas sim a transformando, e nada é mais transformador que mostrar o exemplo. Que respeitar para ensinar o respeito, que educar com autoridade nunca autoritarismo.
Porque mais importante que pregar, é fazer!

Por Lucinha Marinzek.

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