O FILHO QUE SONHEI TER…

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E que atire a primeira pedra quem nunca pensou: “quando tiver meu filho vou fazer tudo que eu gostaria que tivessem feito para mim”

Acredito que muitos pais pensam dessa forma, e acabam projetando nos filhos e em si mesmos como pais, nada menos que a perfeição, tudo que deu errado ou não foi incentivado em mim, precisa dar certo com meu filho, todos os meus defeitos se tornarão qualidades nele, pois sei exatamente onde está o erro, e com ele farei da maneira correta. O único problema nesse raciocínio é esquecer um pequeno detalhe: não seremos pais de nós mesmos, filhos não são feitos para realizar sonhos que não deram certo com os pais, eles são indivíduos separados de nós, possuem suas próprias vontades e desejos, personalidade e maneira de ver o mundo, tenham eles a idade que for.

Muitas das vezes nem gerados foram ainda e já temos o futuro dos filhos traçado nos mínimos detalhes na palma de nossas mãos.

Aí eles nascem e dão início ao maior conflito de nossas vidas: real x idealizado. Ansiedade, estresse, cobranças, frustrações, na maioria das vezes é isso que acontece porque o filho não cumpre aquilo que tanto foi planejado, e sabe por que eles não cumprem? Porque os filhos têm seus próprios ideais, e quando nos mantemos presos às expectativas do que gostaríamos que eles fossem, deixamos de aproveitar cada momento para conhecê-los verdadeiramente.

Tentamos a todo custo sermos os melhores pais e mães que podem existir, por isso damos o nosso máximo para alcançar a perfeição em nossos filhos, claro afinal queremos que eles sejam bem aceitos e realizados em tudo que forem fazer, mas esquecemos muitas vezes que um bom pai e uma boa mãe são aqueles que conhecem seu filho como realmente é, apoiam, orienta e incentiva para desafios reais e não como nossa imaginação gostaria que fosse.

Sem falar na pressão que sente o filho idealizado que se vê pressionado em corresponder expectativas a todo o momento, a viver de aparência, em função de agradar os pais, será que é justo com ele? Será que ele será feliz e bem sucedido agindo assim? Com certeza não e certamente chegará o momento em que ele irá pensar: “quando eu tiver meu filho farei diferente do que estão fazendo comigo”.

E aí está à questão na maioria das vezes, quando pensávamos em fazer diferente com nossos filhos, era justamente quando tentávamos ser o que somos e nossos pais nos podavam, nos sufocavam com suas projeções a nosso respeito, muitas vezes sem tentar entender o que queríamos expressar. Aquilo que desejávamos de todo coração não fazer em relação ao nossos filhos, é o que acabamos fazendo.

Sim é inevitável sonharmos com um futuro lindo e cheio de alegrias para nossos tesouros, mais ao ver logo de início coisas simples ainda, como alimentação, sono, temperamento, fugir do meu controle, percebo que tudo que eu posso e devo fazer é me desligar do futuro e desfrutar do agora, aproveitar cada momento, olhar para minha filha e ver além do que idealizei, sou mãe de um ser único no mundo com suas próprias vontades e expectativas, com seus próprios ideais. Aquilo que seria bom para mim pode não ser para ela. Aceitar e entender isso, é o primeiro passo para conhecê-la como ela realmente é, não é fácil, desapegar dói, mas esse é só o começo, muitas coisas ainda virão, nossa caminhada eu espero, será longa e quero que seja comigo que ela possa contar, que ela possa se abrir sem medo, sem máscara, e é nos pequenos detalhes que construiremos nossa relação de amizade, confiança, admiração e respeito.

No fim das contas, diante desta constatação, cabe a mim um único desejo neste momento: que prevaleça em minhas atitudes um referencial a ser seguido e não erros a serem evitados.
Difícil? Certamente.
Impossível? Nada é impossível quando acreditamos e colocamos amor no que fazemos.

Por Paula de Souza

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