O DIA QUE EU JOGUEI FORA A MINHA CAPA DE MULHER MARAVILHA

10356769_816444005057192_1158396076173627984_nNunca fui a certinha, prendada, muito menos a equilibrada. Prazer, desequilibrada é meu nome e intensa sobrenome. Não sei viver pela metade. Nunca soube fingir que não senti. E com a maternidade, isso não foi diferente.
Nada é mais visceral e intenso na vida de uma mulher que ser mãe.

De repente sua rotina muda drasticamente e você passa a sentir medos, muita culpa, e amor. É, e se tem uma coisa que não mentem no quesito maternidade é o tal amor. Caramba e é amor demais, e amor demais colega, dá medo pra caramba! Medo de que algo aconteça, medo de não fazer o certo, medo de não saber educar, medo…

Sua rotina já apertada engorda e não cabe mais num mísero dia com 24 horas. E mãe que é mãe, é bitolada. Quer fazer tudo sim senhora. E a tal internet vendeu com maestria o titulo de: super mamães, mulheres maravilhas da maternidade! Sim, nós cansamos, mas damos conta, nós podemos! Nós somos o máximo! Uau!

E eu, que sempre fui de ser a independente para resolver de um tudo, vesti essa camisa com maestria!

Além da própria mulher já se cobrar fazer tudo, ainda tem a sociedade. Você tem de ter uma família digna de comercial de margarina, tem de parir e logo estar em forma, tem de estar bem arrumada, tem de ser calma, educada, seu filho nunca dar birra, tem de namorar o marido, tem de ser sexy, tem de cumprir com eficiência inúmeras funções num mísero dia. Para ser a mulher maravilha você tem de rebolar, literalmente!

Sou a super mamãe! Sou a mulher maravilha! Não preciso de ajuda. Consigo fazer tudo! Babá? Isso é coisa de artista e de quem terceiriza educação dos filhos! Empregada? De forma alguma, no máximo uma diarista! Escola? De forma alguma, meu bebê, minhas regras, minha educação! Ajuda de sogra, mãe e terceiros? Jamais, eu dou conta! Sou a Mulher Maravilha ora bolas, eu me desdobro e me viro.
Vivia meio perdida nesse mundo das maravilhas quando um belo dia, uma pessoa viu minha correria desenfreada e perguntou aleatoriamente:
-Nossa é corrido né? Como você dá conta?

Para MINHA imensa surpresa, eis que respondi de imediato:
-Mas eu não dou conta!

Enquanto a pessoa me olhava meio confusa eu me toquei que aquela fora a coisa mais sincera que eu falara para um desconhecido desde que minha filha nascera. Não, eu não dou conta! Sim, eu preciso de ajuda!

Foi nesse dia que eu basicamente catei minha capa de mulher maravilha e joguei no lixo. Já aproveitei o faxinão e catei toda culpa, enfiei na privada e dei descarga. E sim, fiz o que eu deveria ter feito há muito tempo:
Aceitei ajuda. Ajuda do marido para cuidar do bebê. Ajuda de uma empregada para cozinhar e limpar a casa, enquanto eu dedicava meu tempo ao trabalho fora de casa e a minha filha. Ajuda da família para eu descansar 1 horinha por semana. Ajuda.

Parei de me cobrar boa forma, e adivinhe? Emagreci naturalmente! Parei de me cobrar ser perfeita e adivinhe? Melhorei e me acalmei muito!!

Toda mulher, toda mãe precisa de apoio. Uma mãe recém parida precisa de amor, de ajuda, não de pitacos, não de alguém que coloque mais minhocas na sua cabeça. Não somos super heroínas, e quer saber? Nem queremos ser!
A verdadeira mulher maravilha não é a dos quadrinhos, muito menos a Gisele Bundchen, mulher maravilha mesmo são aquelas que têm de criar, educar, sustentar e fazer TUDO sozinhas, muitas vezes sem apoio do pai ou longe da família. Isso sim é ser SUPER!

Queria eu ver num quadrinho a Mulher MARAVILHA com filhos, marido, afazeres e conseguir dar conta. Porque olha, salvar o mundo é fácil, cuidar de uma família e educar uma criança é que são elas.
Mas no final, nós conseguimos, sabe por quê? Porque podemos não ser a maravilha sempre, mas somos maravilhosas no ato de amar e querer fazer o melhor pelo “nosso melhor”, que são nossos filhos e nossa família!!!

Por Lucinha Marinzek

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