QUANDO AMAMENTAR DÓI

Em minha inocência, eu imaginava que amamentar poderia doer caso o bebê estivesse com a pega incorreta (o que é absolutamente verdade), que o leite sempre iria jorrar em abundância, que tudo seria fácil e simples como nos livros (já queimamos os livros, humpf), contudo eu nunca sequer imaginei que caso você enfrentasse problemas na amamentação poderia sentir tamanha dor, no coração!

Se você tem problemas para amamentar sofre todos os tipos de julgamentos possíveis, e a é a pior juiz de si mesma, entretanto,  se você decide seguir em frente com amamentação por mais de 1 ano também irá enfrentar todos os tipos de julgamentos e ofensas possíveis. Hoje relatamos os dois lados. O sofrimento e frustração enfrentados por uma mãe que não amamentou o suficiente e os julgamentos e dificuldades que uma mãe que decide prolongar a amamentação passa.

AMAMENTAÇÃO INTERROMPIDA
Por Lucinha

Marília aos 2 meses mamando sonolenta

Quando gestante eu vi todos os vídeos possíveis e imagináveis sobre como amamentar, dar banho, trocar fraldas. Enfim, o dossiê completo. Eu sabia como curar o seio caso machucasse, sabia técnicas para a pega ser correta. Comprei as melhores pomadas e tudo que havia no mercado. Li textos sobre livre demanda ou sobre impor horários fixos. Sabia como fazer caso meus seios empedrassem de tanto leite (porque óbvio, eu teria muito leite). A ÚNICA coisa que eu sequer cogitei fora a tal baixa produção de leite. Isso certamente, nunca aconteceria comigo. Pois é, mas aconteceu!

Assim que Marília nasceu e já direto pegou o peito e o colostro veio, decretei vitória antes da hora. As enfermeiras diziam: você terá muito leite! Doeu muito na primeira semana, pois a pega estava incorreta (sim, mesmo eu me achando uma expert no assunto…rs). Contando com a ajuda da pediatra e da minha mãe, consegui reverter esse quadro e tudo ia às mil maravilhas até que… na consulta de 10 dias ela não havia recuperado nem o peso que nascera! E chorava muito, muito mesmo.

Sou uma pessoa ansiosa, nervosa e quanto mais me pediam calma, mais tensa eu ficava. Eu chorava junto. Eu entrei em pânico!!
A pediatra receitou remédios para aumentar produção de leite. Passei a tomar mais água que já tomava e comi e bebi absolutamente tudo que diziam na internet que podia ajudar. A base de calmantes (medicamento usado para descer leite) eu fiquei tudo, menos calma! Estava frio, mas eu tomava banho gelado implorando para o leite descer. Eu deixei minha bebê pendurada no peito o dia todo para ver se melhorava. Sim, eu fiz TUDO ERRADO pensando desesperadamente estar fazendo o certo.

Na minha cidade não tem banco de leite. Não tinha uma enfermeira ou alguém para me auxiliar. Minha mãe sofria junto, pois ela sofreu do mesmo problema, e eu nunca, sequer, imaginei que isso iria se repetir comigo.

Com 20 dias Marília estava muito magra, e chorava ainda mais. A pediatra então entrou com o complemento, eu não queria, contudo fui bombardeada, pelas pessoas que eu mais confiava com:

-Você vai deixar ela morrer de fome?

Entrei com complemento, na esperança de que iria diminuir a cada dia, mas o que aconteceu foi o contrário, e com 5 meses minha filha abandonou o peito. Vejo relatos de mães tentando o desmame e dos bebês desesperados pedindo, aqui era eu desesperada forçando.

Escutei desde, você não queria que seus seios caíssem até: não existe pouco leite, existe mãe sem paciência. Você não quis amamentar? Outros perguntavam horrorizados.

Mas as piores perguntas, o maior julgamento veio de mim mesma. Eu me culpei, me aterrorizei. E realmente, a culpa não foi da pediatra, da família, dos amigos, ela cabe exclusivamente a mim, eu não deveria ter cedido, pois tempos depois de ter entrado com o NAN, descobrimos que o choro e baixo ganho de peso se devia também ao refluxo oculto. E logo que entramos com os medicamentos os choros sumiram, e o peso estabilizou. Ou seja, não era só fome!!

Mas eu deveria ter seguido meu instinto, minha vontade, a famosa intuição de mãe. Infelizmente, eu não segui, eu sucumbi. Sofri muito com tudo isso. Quando minha filha estava com 7 meses, um anjo surgiu em minha vida, uma amiga me disse para tentar relactar.

Eu mal sabia o que era isso nem se seria possível, mas segui em frente. Li tudo o que havia sobre o assunto na internet, comprei kit para relactar e comecei, descrente eu confesso. Quando eu decidi que aquilo era uma besteira, qual não foi minha feliz surpresa ao notar o colostro descendo e dois dias depois, o leite! Recomecei. Mas não foi fácil. Acostumada com mamadeira Marília vinha para o peito resignada, irritada, e minha alegria de amamentar de novo não durou nem um mês.

Mas a relactação me deixou mais forte, mais segura. O pior advogado de acusação fora eu mesma. Contudo, um belo dia eu decidi me libertar. Eu errei, mas foi pensando fazer o certo. Eu tentei e só eu sei o quanto lutei. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, e seria maravilhoso se as pessoas seguissem isso, olhando mais para si e julgando menos o outro.

AMAMENTAÇÃO PROLONGADA

Por Arianne

Augusto com 1 ano e 2 meses mamando na festa da priminha

Augusto com 1 ano e 2 meses mamando na festa da priminha

Tudo aquilo que você julga saber e julga como certo, cai por terra quando seu filho nasce e você se vê as voltas com um bebê que chora demais, um seio grande demais (porque ele gosta mais daquele e você na inocência quando ele demonstra não querer o outro volta por preferido dele achando que está tudo bem), outro que doi demais (pega incorreta) e palpites e olhares de piedade para com uma mãe recém parida que tenta de toda forma amamentar seu rebento.

Desde que engravidei, sempre tive dois sonhos: ter um parto normal e amamentar até os 2 anos ou mais.

Imaginem meu desespero quando tudo que sonhei ia por água baixo, como se escorresse pelos meus dedos. Um dos meu sonhos eu não tinha realizado, tivera uma cesariana, mas o outro não deixaria que tirassem de mim assim tão fácil.

Fui firme em meu propósito, pesquisei, chorei, entrei em grupos de amamentação passava o dia com Augusto no peito, passava o dia tirando dúvidas nos grupos. Mas consegui. Com muita persistência mês após mês eu seguia amamentando. E cada vez mais me sentia feliz por ter conseguido. Sabia que não era fácil, eu sabia que poderia ter dado errado ainda na primeira semana, quando acuada dei um pouco de NAN a ele, mas não apesar de todos os pitacos e pedras no caminho que encontrei cheguei ao sexto mês de amamentação exclusiva. Me senti realizada e feliz. Mas mal sabia eu que estava apenas no início de uma longa jornada: a amamentação prolongada.

Não entendo porque a maior parte das pessoas te olha ou como louca, ou como doida varrida, ou os dois (rsrs), já ouvi inúmeras pérolas e fiz trocentas mil cara de alface pras perguntas e comentários mais toscos e ridículos possíveis.

Isso eu tiraria de letra. Isso é o de menos pra quem deseja amamentar. O que mais dificultou a amamentação prolongada foi a APLV (alergia a proteína do leite de vaca) do Augusto descoberta com 7 meses logo após a introdução alimentar.

Ao contrário do que muita gente pensa não é tão simples como tirar o leite, queijo e iorgute da alimentação. Quem me dera se fosse simples assim.Você tem que excluir quase tudo industrializado da sua alimentação e também da alimentação do bebê. E deixa separado meia hora a mais nas compras pra ler os rótulos.

Quando comecei a dieta, pensei em desistir, pensei que seria mais fácil porque muitas vezes deixava passar algo na dieta e ele sofria de gases e desconfortos, logo ficava assado, eu achava que aquilo nunca teria fim. Pensava que com o leite especial seria possível controlar tudo e ele não ter contato com o leite nem com traços. Mas muitos bebes recusam os leites especiais por terem gosto ruim, e apesar de difícil eu sabia que no fundo não teria coragem pra desmamar ele por conta disso. Sempre disse que o desmame seria natural e sem traumas. Apesar de ser uma difícil batalha resolvi encarar de frente.

Nunca me preocupei em privar ele de coisas gostosas como muita gente me questionou, nunca tive interesse em dar essas coisas pra ele, ele não sofria por ir em uma festa e não comer um brigadeiro ou um leite ninho, quem sofria era eu, pois estava a comer de tudo sempre que queria, mas por ele tudo valia a pena. Procuro receitas em blogs e nos grupos que participo, sempre faço algo novo e deferente como dizem minhas amigas.

Toda essa coisa de APLV serviu para estreitar ainda mais nossos laços, vi que aquele momento ele precisava ainda mais de mim e do meu leite. Amamentar é surpreendentemente bom. É também cansativo, tem dias que você quer jogar a toalha e desmamar de qualquer forma, mas quando seu bebê vem pra você amamenta-lo e te olha com aquela carinha de anjo e um sorriso sincero de agradecimento tudo vale a pena.

Aquele pequeno segundo se eterniza na sua memória e apaga qualquer sacrifício e crítica. Pois o que realmente importa é a felicidade do seu filho e você esta em paz com sua consciência de que fez tudo que podia.

6 opiniões sobre “QUANDO AMAMENTAR DÓI

  1. Lindo, lindo, lindo…. Me emocionei muito com os textos, hoje estou naqueles dias em que a gente se questiona se está fazendo o certo, estou insegura, chateada, mesmo não querendo ñ sei porque acabo escutando o que as pessoas dizem, e quando ñ dizem noto só no olhar o que estão pensando. Poxa ser mãe ñ é fácil? Quero ser melhor, fazer o melhor a cada dia, e tem dias q essa cobrança pesa demais.

    Lu, não sabia direito da sua história, que bom q vc se libertou da “culpa”, até mesmo porque vc ñ tem culpa de nada. Só vc sabe o que passou, essa dor só vc conhece, então a unica pessoa a quem você deve satisfação é a vc mesma. Estamdo tubo bem c vc, o que os outros dizem pouco importa. Vc fez o seu melhor, a gente sempre faz o nosso melhor pra nossas filhas, nada menos que o melhor!

    Ari, vc é guerreira amiga, nada fácil sua situação com o Guto, não sei o que eu faria no seu lugar, se teria essa garra toda pra continuar amamentando! Tamo junto na amamentação prolongada, que ñ é nada fácil, mesmo ñ querendo os olhares de desaprovação das pessoas acabam me colocando pra baixo as vezes, mas a gente pesquisou muito pra chegar até aqui né? Bola pra frente ruma ao desmame natural!

  2. Tive muita dificuldade em dar de mamar.. o Jó não sabia sugar, eu não sabia fazer a prega.. me sentia um lixo.. pouco tempo depois meu seio estava em carne viva, sangrando e soltando pedacinhos.. Ele segurava fazendo pressão entre a lingua e o céu da boca com o bico do meu seio e quando ele dormia eu enfiava o dedo na boquinha dele pra soltar aquela pressão.. nem precisa dizer o quanto isso doia depois que estava em carne viva né? Amamentei até os 3 meses que foi o que deu pra eu aguentar.. ouvi muito palpite, muito julgamento, mas quando cheguei no limite cheguei ué.. me senti menos mãe por conta dos julgamentos.. então entrei com a formula.. Hoje meu filho é super saudavel, come de tudo ( exceto ovo e batata doce que ele vomita na hora ), não tem frescura, come legumes, verduras e apesar de não se muito chegado em frutas que não sejam maçã e uva se eu falar que tem que comer ele come. Não negocio ou dou opção de escolha pra ele sobre se vai ou não comer o verdinho do prato.. e nem precisamos entrar em discussão.. Posso até ser chata, mas faço o melhor de mim.

    • Carol, só quem sabe a dor e julgamento é quem vive, mas por vezes as pessoas decidem que podem falar o q quiser. Tbm me culpei mto, fiquei mal…hj em dia, como disse no texto, joguei a culpa no lixo…fiz o meu melhor, com mto amor, bjooo

    • Parabéns Carol! Pelo menos você tentou! Pra mim isso é o que mais importa: TENTAR! Não é algo simples como nas propagandas, requer esforço, tempo, dedicação exclusiva e tudo o mais! Não julgo ninguém cada um sabe dos seus limites e faz o que acha melhor para o seu filho dentro do seu contexto! Mais uma vez parabéns!

  3. Me vi no seu relato, sonhei com um parto normal e amamentação exclusiva até os seis meses, mas infelizmente acabei numa cesárea intraparto e meu bebê hj com 28 dias só perde peso, pois não consegue uma pega correta e pediatra entrou com fórmula, mesmo com ajuda de uma consultora de amamentação, estou fracassando, me sinto impotente, mas não vou desistir, procurarei outro pediatra até encontrar um que me apoie e não meça esforços para descobrir pq o meu bebê não faz a pega correta. Ele não tem a língua presa, então teremos que investigar o que está acontecendo. Mas tenho fé que vamos conseguir.

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