O renascer de uma mãe

Na semana do  Dia das mães, escrevi um texto chamado SER MÃE É RENASCER, em homenagem às mulheres que tentam engravidar, as que perderam o bebê ainda em seu ventre e as mães de anjo.

Esse texto surgiu, em especial para algumas amigas, como a Rafaela, que perdera a doce Carol com apenas 1 mês de vida! Hoje ela nos conta seu relato, e nos mostra que acima da dor surge a FÉ, a ESPERANÇA e um desfecho emocionante. Vale a pena ler, pegue o lencinho porque lá vem lágrimas com este lindo relato.

Rafaela e Carol


Olá, meu nome é Rafaela, sou mamãe de um menino lindo de 6 aninhos e de uma anjinha linda no céu…

Nosso sonho começou em dezembro de 2012, sentimos em nosso coração como família o desejo de dar um irmãozinho ao nosso filho que tanto nos pedia, em junho de 2013 descobrimos que nosso sonho estava a caminho, uma alegria, mistura de sentimentos, um lindo sonho prestes a se realizar.

Passamos uma gravidez nada fácil, cada semana vencida era uma vitória, e a todo momento eu orava e pedia a Deus para me dar o prazer de conhecer minha filha. Dia 02/01/2014 nosso lindo sonho chegou, minha filha Ana Caroliny nasceu, de parto normal com 37 semanas de gravidez, a nossa alegria estava ali já em meus braços, quanta felicidade, meu coração gritava de alegria, de amor, uma princesa linda, branquinha, bem cabeludinha, cabelinho pretinho, um verdadeiro milagre da vida.

No outro dia já recebemos alta, já que nossa filha estava bem, eu ainda não acreditava no sonho lindo que estávamos vivendo, minha Carol era calminha, fomos felizes e vivemos intensamente todo amor por aquela princesinha linda que preenchia nossos dias com muita graça…Desde seu 1º dia de vida todos que a viam diziam que ela era calminha e tranquila, era um bebê que nunca incomodou em nada…

Mais aos 20 dias de vida, nossa princesa começou com uma febre, logo corremos para o hospital, e depois de passar por 4 hospitais enfim conseguimos atendimento a ela (os outros negavam atendimento por se tratar de uma RN e não terem uma uti neonatal para caso fosse preciso, como era, vergonha no nosso Brasil). Me senti a mãe mais feliz do mundo quando a recepcionista da upa que consegui atendimento disse que iria atende-la, mais a felicidade acabou logo quando entramos na sala do pediatra, um grosso, examinou minha filha muito mal, pediu exames e depois de horas quando o resultado saiu mesmo vendo que ela estava com uma infecção a liberou para casa para o meu desespero, coração de mãe não se engana e eu sabia que tinha algo errado, eu sabia que minha filha não estava bem mesmo ele tendo dito que essa alteração era normal e que era para aguardar mais 2 dias caso a febre persististe para voltarmos com ela.

Meu coração doía, eu já estava desesperada, continuei tentando falar com a pediatra dela, só consegui no outro dia ás 10 da manhã, a pediatra disse para voltarmos com ela para o consultório dela, logo voltamos e ela se preocupou e disse que a febre não era normal mesmo e nos pediu mais uma serie de exames.

Fomos fazer esses exames que ela solicitou, e para o meu desespero chegando lá minha Carol começou a ficar gemente, muito pálida e com mais dificuldades ainda de respirar, ligamos para pediatra e logo ela veio nos encontrar e disse que teríamos que interna-la que não aconselhava que saíssemos daquele hospital com ela para tentar atendimento em outro lugar (lá eles não tinham uma uti neo tbm :()

Fizeram todos procedimentos que eles podiam, encheram minha filha de aparelhos, como me doía, mais eu tinha fé que ela sairia bem, que era só um susto, no mesmo dia que a internamos nesse hospital conseguimos a transferência dela para um outro hospital que tinha a uti para ela, nossa como doía, como dói até hoje, ver minha filha tão pequenininha, tão indefesa sofrendo tanto.

Pela madrugada foi levada para a uti, e lá ela chorava tanto, tadinha, queria o peitinho dela e não podia, porque estava muito fraquinha e o médico tinha medo dela se engasgar, por ela estar muito agitada e todo hora conseguindo tirar o respirador, eles falaram que iriam ceda-la, logo vi minha filha sedada e intubada, que dor, dói tanto, lembro da minha agonia e do pai dele vigiando os batimentos cardíacos, vigiando a saturação e nossa correria quando víamos a saturação caindo.

Na noite desse dia tão doloroso, ela deu uma melhorada, e que alegria foi, todos os médicos e enfermeiros a aplaudiam, elogiavam minha guerreirinha, mais 3 hrs depois de tanta alegria vimos a saturação caindo, os batimentos caindo, e vi que estava perdendo minha filha, chorei, gritei e orei, implorava a Deus pelo milagre na vida da minha filha, implorava a ele que tivesse piedade de mim e não tirasse de mim a minha filha, tivemos que sair da sala, não perdi minha fé, orava e tinha certeza que minha filha iria sair bem, que teria sido só mais um susto, mais ás 3:30 da manhã ele nos chama e diz que estava a 2 hrs tentando reanimar minha princesa mais ela não tinha resistido, meu mundo desabou, peguei minha princesa e minha vontade era fugir daquele hospital, meu sonho, minha vida ali já sem respirar, que dia doloroso, no mesmo dia a enterramos, minha vontade era morrer junto, mais como?

Deus levou minha princesa e deixou meu príncipe e eu tinha que continuar a sobreviver por ele.

Gente, não há dor maior do que a perda de um filho. Aprendemos a amá-los de uma forma tão grandiosa, tão completa, que não conseguimos mais enxergar o mundo sem a sua presença ao nosso lado. Descobrimos um tipo de amor que nos faz crescer e nos faz amar a vida como nunca antes havíamos amado. Sofro demais com a morte da minha filha até hoje e sei que essa dor vai ficar em mim para sempre. Sinto saudades dela, não porque estamos longe, mas sim porque já estivemos juntas um dia.

Mas, sabe, pessoal, hoje sou eternamente grata a Deus por tudo que Ele tem feito em minha vida. Ele levou a Carol, mas deixou o meu príncipe Pedro, e qual não foi minha surpresa, quando mês passado descobri um novo ser crescendo dentro de mim. Uma nova gestação. Um fio de vida em meio a saudades. Hoje tenho um bebe sendo gerado dentro de mim.

Costumo dizer que minha Carol vendo o sofrimento da mãezinha aqui na terra pediu ao papai do céu para nos enviar um bebezinho para nos fazer renascer novamente, e Ele com sua infinita bondade nos enviou, posso ter 10 filhos e nenhum a substituirá, ela está aqui em meu coração, mas de uma forma, hoje, vejo minha vida renascer.

Dizer que parei de chorar seria uma grande mentira, porque esse vazio, essa dor será eterna dentro de mim, Meus filhos são a razão de tudo. Não sei o que seria de mim sem eles. Tenho o meu rapazinho aqui ao meu lado me dá forças para continuar. Confio muito em Deus e sei que Ele tem um propósito na vida de cada um de nós. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e uma folha não cai de uma árvore sem a permissão Dele. As flores mais especiais duram pouco tempo e depois morrem, mas não sem antes terem cumprido o propósito para o qual nasceram. A Carol me mostrou o amor mais sincero, o mais bonito e o maior de todos, essa foi sua missão.

Porque a distância impede que eu veja a minha anjinha, mas não que eu a ame.

Ah uma dica de uma mãe que sofre, quando acharem que seus filhos não estão bem mesmo e escutarem um é normal de um médico, corra atras, façam um escândalo se preciso, mais lutem mesmo pelo que seu coração de mãe sente, ficou os talvez em minha mente me assombrando, acho que se eu tivesse seguido meu pressentimento de mãe, e ter arrumado uma briga com esse médico negligente minha filha talvez estaria comigo.

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